A Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, participou nos dias 5 e 6 de agosto do seminário “Os processos de migração internacional e indígena no Brasil: desafios para as Políticas Públicas”, realizado na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O evento reuniu pesquisadores, gestores públicos, organismos internacionais, profissionais de saúde, educação, assistência social e representantes de comunidades migrantes e indígenas, buscando fortalecer o diálogo para qualificar as políticas voltadas às populações em mobilidade, tanto nacional quanto internacional.
Seminário destaca a experiência de Campinas com população migrante
A Prefeitura participou por meio do Centro de Referência do Imigrante, Refugiado e Apátrida (Scrira), vinculado à Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social. O centro acolhe pessoas que chegaram de outros países, incluindo refugiados e apátridas. Durante o seminário, o assistente social Flávio Rodrigo da Silva ressaltou a importância da criação de um programa permanente de capacitação para profissionais que atendem migrantes. Segundo ele, Campinas abriga cerca de 10 mil imigrantes, refugiados e apátridas, entre venezuelanos, haitianos, cubanos e colombianos. O Centro de Referência completa dez anos de atuação em 2026.
Perspectivas acadêmicas e intersetoriais
O diretor da FCM, Erich Vinicius de Paula, afirmou que iniciativas como o seminário reforçam o compromisso da universidade com desafios contemporâneos e podem gerar impactos concretos nas políticas públicas. O sociólogo Rafael Afonso da Silva destacou a presença significativa dos haitianos, venezuelanos e indígenas Warao, grupo originário da Venezuela, em Campinas, ressaltando a necessidade de políticas que respeitem as especificidades culturais e sociais dessas comunidades.
A professora Daniele Sacardo, integrante da comissão organizadora, enfatizou a importância de uma rede intersetorial integrando assistência social, saúde e educação, além da participação efetiva das comunidades para a construção de políticas públicas humanizadas e respeitosas.
Enfoque na saúde indígena e participação dos povos originários
Luiz Carlos Batarse, coordenador distrital de Saúde Indígena da Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde e membro do povo Kaingang, ressaltou que o evento amplia o debate sobre saúde indígena no Brasil e internacionalmente, ressaltando a contribuição da Unicamp para dar visibilidade a essas demandas.
Programação e comunidades Warao
Durante os dois dias, o seminário ofereceu mesas de debate sobre direitos humanos, migração e a situação específica do povo Warao, incluindo a participação da comunidade Janoco Jido, que vive na região Noroeste de Campinas. As atividades foram encerradas com manifestações culturais.
O povo Warao é o maior grupo indígena venezuelano em refúgio no Brasil, originário do delta do rio Orinoco. Eles deixaram a Venezuela a partir de 2016 devido à crise humanitária. Atualmente, mais de 7 mil indígenas Warao vivem em diferentes regiões do país, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
Financiamento e contato
O seminário contou com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão federal de fomento à pós-graduação, por meio de programa de apoio à extensão universitária.
Centro de Referência do Imigrante, Refugiado e Apátrida
Endereço: Avenida Francisco Glicério, 1.269, 4º andar, Centro
Telefone: (19) 3231-1867, ramal 7
Atendimento: segunda a sexta, das 9h às 16h
Perguntas frequentes
Qual o objetivo do seminário realizado na Unicamp?
O seminário buscou fortalecer o diálogo entre universidade e poder público para aprimorar políticas públicas destinadas a migrantes e indígenas em situação de mobilidade.
Quem participou do evento?
Participaram pesquisadores, gestores públicos, organismos internacionais, profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social, além de representantes das comunidades migrantes e indígenas.
Qual a importância do Centro de Referência do Imigrante, Refugiado e Apátrida de Campinas?
O centro acolhe e acompanha migrantes, refugiados e apátridas na cidade, além de atuar na organização do seminário e defender a capacitação permanente dos profissionais que atendem essa população.
Qual grupo indígena foi foco do seminário?
O povo Warao, maior grupo indígena venezuelano em situação de refúgio no Brasil, teve participação especial no evento, destacando sua presença em Campinas e as necessidades específicas da comunidade.
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