Servidores públicos participamdo do curso Travessias Negras: Liderança, Território e Transformação no Serviço Público vivenciaram uma atividade pelo Centro Histórico de Campinas na quarta-feira, 17 de setembro. A Rota Afro apresentou-lhes locais de relevância para a memória, cultura e presença da população negra na formação da cidade.
O percurso iniciou no Largo São Benedito e concluiu no Paço Municipal, passando por pontos como a Igreja de São Benedito, o Monumento à Mãe Preta e o Largo do Rosário. Mais do que visitar os espaços, a iniciativa buscou promover um olhar renovado sobre locais cotidianos e personagens ausentes das narrativas tradicionais sobre Campinas.
Willian Azevedo Souza, psicólogo e participante do curso, relatou que a experiência modificou sua percepção. Morador há mais de dez anos em frente à estátua da Mãe Preta, ele nunca havia atentado para o detalhe de a figura amamentar uma criança branca, o que revelou parte esquecida da história municipal.
Ele afirmou que, após a rota, passou a perceber o centro não apenas como um conjunto de casarões históricos, mas como um local que carrega histórias apagadas da cidade. Outro participante, Sabrina Cosme de Souza, técnica de enfermagem, destacou a importância de compreender como a população negra contribuiu para a construção de Campinas e como isso influencia a atuação de pessoas negras no serviço público.
A idealizadora da Rota Afro, Julia Madeira, ressaltou as reflexões proporcionadas pela atividade e a necessidade de ampliar o reconhecimento da presença negra em Campinas, cuja história muitas vezes é invisibilizada, apesar de uma comunidade negra ativa.
Formação histórica e social na perspectiva da liderança negra
Segundo Daniel Estevão, coordenador do Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras, a atividade aprofundou a compreensão dos servidores sobre a história e a realidade social de Campinas, conectando o conteúdo do curso ao território.
O programa visa identificar e fortalecer servidores negros com perfil para lideranças na administração pública, promovendo competências gerenciais, incentivo à carreira, formação de redes de líderes negras e estudos sobre diversidade e gestão pública. A iniciativa busca ampliar a representatividade negra em espaços decisórios, favorecendo uma gestão mais equitativa e diversa.
Parcerias internacionais e acadêmicas
A Rota Afro integra cooperação entre Campinas e a Universidade Pedagógica de Maputo, em Moçambique, e envolve a PUC-Campinas, pelo Centro de Estudos Africanos e Afro-brasileiros Dra. Nicéia Quintino Amauro, além do Observatório MIPID, que atua na promoção da igualdade na diversidade.
Perguntas frequentes
O que é a Rota Afro?
É uma atividade que leva servidores a conhecer espaços históricos do Centro de Campinas relacionados à memória e cultura da população negra.
Qual o objetivo do Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras?
Identificar e fortalecer servidores negros para cargos de liderança na administração pública, promovendo diversidade e equidade.
Quais parcerias apoiam a iniciativa?
Contam com cooperação da Universidade Pedagógica de Maputo, PUC-Campinas e o Observatório MIPID.
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