O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia mudanças em duas frentes da economia que podem afetar empresas, trabalhadores e beneficiários da Previdência: a contratação de profissionais como pessoa jurídica (PJ) e a política de reajuste do salário mínimo.
As discussões ocorrem em um cenário de preocupação com as contas previdenciárias e com a perda do poder de compra apontada por parcela significativa da população.
Governo estuda contribuição para empresas com muitos trabalhadores PJ
Uma das propostas em análise prevê a criação de uma contribuição previdenciária para empresas que mantenham uma parcela elevada de seus trabalhadores contratada como pessoa jurídica.
A medida teria como um dos objetivos reduzir o impacto da chamada pejotização sobre as contas da Previdência Social.
Na avaliação apresentada pelo governo, algumas empresas utilizariam a contratação como PJ para reduzir ou evitar o recolhimento de contribuições previdenciárias que seriam aplicadas em uma relação formal de emprego.
A proposta, caso avance, poderá atingir especialmente empresas que concentram grande parte de sua mão de obra nesse modelo de contratação.
Salário mínimo pode chegar a R$ 1.741 em 2027
Outra discussão envolve o valor do salário mínimo para 2027. A projeção apresentada pelo governo é de R$ 1.741, o que representaria um aumento de R$ 120 em relação ao valor atual.
A estimativa também considera um reajuste acima da inflação, o que, na prática, representaria ganho real para os trabalhadores que recebem o piso nacional.
O aumento ocorre em um momento em que, segundo os dados apresentados no material, 67% dos brasileiros afirmam estar com menor poder de compra em comparação com o mesmo período de 2025.
Reajuste também aumenta despesas da Previdência
Embora o aumento do salário mínimo possa elevar a renda de milhões de brasileiros, o reajuste também produz efeitos sobre as contas públicas.
Isso ocorre porque aproximadamente 45% dos benefícios da Previdência Social estão vinculados ao salário mínimo. Dessa forma, quando o piso nacional aumenta, os gastos do sistema previdenciário também tendem a crescer.
O desafio para o governo é equilibrar a política de valorização do salário mínimo com a necessidade de controlar o crescimento das despesas previdenciárias.
Pejotização e salário mínimo entram no debate econômico
As duas propostas fazem parte de discussões distintas, mas têm um ponto em comum: o impacto sobre as contas da Previdência.
Enquanto o combate à pejotização busca ampliar a arrecadação previdenciária em determinadas relações de trabalho, o reajuste do salário mínimo tende a aumentar as despesas vinculadas aos benefícios que acompanham o piso nacional.
Assim, o governo terá de avaliar o impacto fiscal das medidas antes de definir eventuais mudanças.
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