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FIDCs avançam com crise dos bancos médios

Redação C. by Redação C.
14/07/2026
in Finanças
FIDCs

FIDCs

FIDCs avançam no mercado brasileiro de renda fixa em meio à redução dos prêmios oferecidos pelos CDBs de bancos pequenos e médios. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios passaram a ocupar mais espaço nas carteiras, mas especialistas alertam que a rentabilidade maior vem acompanhada de riscos que precisam ser avaliados com atenção.

Os episódios recentes envolvendo bancos médios, a maior preocupação com a utilização do Fundo Garantidor de Créditos e a redução das taxas pagas pelos CDBs contribuíram para uma mudança no comportamento dos investidores.

dinheiro

Antes, parte das decisões de investimento era baseada principalmente no percentual do CDI oferecido e na existência da cobertura do FGC. Com o novo cenário, investidores passaram a observar com mais cuidado a qualidade do crédito, as garantias, a governança e a estrutura que sustenta os rendimentos.

Em maio de 2026, as maiores taxas de CDBs emitidos por bancos pequenos e médios ficaram próximas de 106,9% do CDI. O percentual ficou abaixo dos níveis de 115% ou 120% do CDI que eram utilizados anteriormente para atrair investidores.

Os CDBs, porém, continuam sendo o investimento de renda fixa mais popular entre as pessoas físicas. Dados da B3 indicam que o estoque desses títulos chegou a R$ 2,8 trilhões em março de 2026, crescimento de 11% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

FIDCs avançam na captação e no número de investidores

Os dados apresentados mostram uma expansão significativa dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios.

Levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a Anbima, indicou que os FIDCs captaram R$ 41,7 bilhões entre janeiro e maio de 2026. O resultado representa crescimento de 36,5% em comparação com o mesmo período de 2025.

Em número de operações, foram registradas 406 emissões de FIDCs no período, contra 237 operações de debêntures.

Já nos primeiros seis meses de 2026, a captação líquida teria alcançado R$ 30 bilhões. O número de pessoas físicas investindo nesses fundos também cresceu quase 20%, atingindo aproximadamente 435 mil contas.

A quantidade de fundos passou de 3.930 em dezembro para 4.147 ao final do primeiro semestre. O patrimônio total da indústria chegou a R$ 771,4 bilhões.

Também foi informada a expectativa de que os FIDCs possam alcançar R$ 1 trilhão em patrimônio nos próximos meses, caso o ritmo de expansão seja mantido.

Índice

FIDCs avançam na captação e no número de investidores
O que é um FIDC
Quanto um FIDC pode render
FIDC não possui proteção do FGC
Governança e qualidade dos recebíveis ganham importância
Tecnologia ajuda no controle das carteiras
Crescimento também exige atenção à inadimplência
FIDC não deve substituir a reserva de emergência
Como avaliar um FIDC antes de investir
LEIA TAMBÉM: A realidade brutal sobre ser homem

O que é um FIDC

O FIDC é um fundo que investe principalmente em direitos creditórios, também chamados de recebíveis.

Esses recebíveis representam valores que empresas ou outras instituições têm direito de receber no futuro. Podem estar relacionados, por exemplo, a vendas parceladas, contratos, duplicatas, crédito consignado, mensalidades ou operações com cartões.

Ao adquirir cotas de um FIDC, o investidor passa a participar de uma carteira formada por esses créditos. O retorno depende do pagamento realizado pelos devedores e da forma como o fundo foi estruturado.

Os FIDCs também funcionam como alternativa de financiamento para empresas que precisam antecipar recursos sem recorrer exclusivamente ao crédito bancário.

O crescimento desse mercado está relacionado tanto à busca das empresas por novas fontes de financiamento quanto à procura dos investidores por alternativas de renda fixa com maior potencial de retorno.

Quanto um FIDC pode render

De acordo com as informações apresentadas, alguns FIDCs voltados ao varejo têm entregado retornos próximos de 110% do CDI.

Outras estruturas podem oferecer remunerações entre CDI mais 2% e CDI mais 5% ao ano, dependendo do risco da operação, da qualidade dos recebíveis, das garantias e do nível de proteção oferecido pelas cotas subordinadas.

O retorno mais alto, no entanto, não deve ser analisado isoladamente. A maior taxa pode representar maior risco de inadimplência, concentração dos créditos, menor liquidez ou uma estrutura com proteções insuficientes.

Especialistas destacam que o melhor FIDC não é necessariamente o fundo que oferece o maior rendimento. É necessário entender de onde vem a rentabilidade e se ela é compatível com os riscos assumidos.

FIDC não possui proteção do FGC

Uma das principais diferenças entre o FIDC e o CDB está na proteção oferecida ao investidor.

Os CDBs podem contar com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, além das demais regras do fundo garantidor.

Os FIDCs não possuem essa cobertura.

Nesse tipo de investimento, a proteção depende da qualidade da própria estrutura. Entre os principais pontos que precisam ser analisados estão:

• Qualidade e origem dos recebíveis;

• Capacidade de pagamento dos devedores;

• Histórico de inadimplência;

• Pulverização da carteira;

• Concentração em empresas ou devedores;

• Existência de garantias;

• Critérios para a aquisição dos créditos;

• Nível de subordinação das cotas;

• Transparência dos relatórios;

• Experiência da gestora e dos demais participantes.

A subordinação funciona como uma camada de proteção. Em algumas estruturas, as cotas subordinadas absorvem as primeiras perdas antes que elas atinjam as cotas consideradas mais protegidas, como as cotas seniores.

Essa proteção, porém, não elimina o risco de prejuízo.

Governança e qualidade dos recebíveis ganham importância

Com a expansão dos FIDCs, a qualidade da governança passou a ser um dos principais critérios de avaliação das operações.

A estrutura de um fundo pode envolver originadores, gestores, administradores fiduciários, custodiantes e outros prestadores de serviços. O alinhamento entre esses participantes é importante para acompanhar a carteira, verificar os recebíveis e identificar problemas.

Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o crescimento da indústria aumentou a responsabilidade de quem administra e estrutura essas operações.

Ele destaca que um FIDC precisa combinar qualidade dos ativos, governança, controles eficientes e capacidade operacional para acompanhar toda a evolução da carteira.

Além do volume financeiro, os investidores passaram a analisar como os créditos foram originados, como são monitorados e como ocorre a cobrança dos valores.

A Resolução CVM 175 também contribuiu para a modernização da indústria ao estabelecer novas responsabilidades e ampliar a necessidade de transparência e acompanhamento das operações.

Tecnologia ajuda no controle das carteiras

O avanço dos FIDCs também aumentou a utilização de tecnologia nos processos de administração e fiscalização.

Automação de rotinas, integração entre sistemas, acompanhamento eletrônico das carteiras e digitalização dos documentos ajudam a reduzir falhas e melhorar o controle das operações.

Esses recursos permitem acompanhar pagamentos, atrasos, substituições de recebíveis, concentração da carteira e alterações nos indicadores de risco.

A tecnologia, no entanto, não substitui a análise da qualidade do crédito nem elimina a necessidade de uma governança eficiente.

Crescimento também exige atenção à inadimplência

O aumento rápido do número de fundos e da procura por recebíveis pode provocar maior competição entre gestoras.

Com mais instituições disputando os mesmos ativos, existe o risco de redução das taxas e flexibilização dos critérios utilizados para selecionar os créditos.

Especialistas alertam para operações que compram créditos de prazo longo enquanto oferecem resgate em períodos curtos. Essa diferença entre o prazo dos ativos e o prazo dado ao investidor pode criar dificuldades de liquidez.

Outro ponto de atenção é a queda prolongada das cotas subordinadas, que pode indicar aumento das perdas ou problemas na carteira.

Embora a inadimplência esteja sendo considerada controlada em determinadas estruturas, o crescimento da indústria exige acompanhamento permanente, principalmente em fundos com recebíveis de empresas menores ou carteiras concentradas.

FIDC não deve substituir a reserva de emergência

Apesar do potencial de rentabilidade, o FIDC não deve ser tratado automaticamente como substituto da reserva de emergência.

A reserva precisa estar disponível para situações inesperadas e, por isso, normalmente exige liquidez, previsibilidade e baixo risco.

Os FIDCs podem ter prazos de resgate maiores, períodos de carência e riscos relacionados à inadimplência dos devedores. Também podem apresentar dificuldades para pagar resgates quando os recebíveis possuem vencimentos mais longos.

Por esse motivo, o investidor deve avaliar o prazo do fundo e verificar se o dinheiro poderá permanecer aplicado durante o período necessário.

Como avaliar um FIDC antes de investir

Antes de aplicar, o investidor deve compreender qual tipo de recebível está dentro do fundo e quem são os responsáveis pelo pagamento.

Também é importante consultar os documentos da operação, os relatórios da carteira, o histórico da gestora e a atuação do administrador fiduciário.

A análise deve considerar se os recebíveis estão concentrados em poucos devedores, se existem garantias e qual é a proteção oferecida pelas cotas subordinadas.

Outro cuidado é comparar o prazo dos créditos com o prazo de resgate oferecido pelo fundo. Operações muito longas dentro de fundos com liquidez elevada podem aumentar os riscos em momentos de muitos pedidos de retirada.

Os FIDCs ampliam as possibilidades de diversificação na renda fixa e podem oferecer retornos superiores aos CDBs. Entretanto, o crescimento do setor não elimina os riscos de crédito, inadimplência e liquidez.

A expansão da indústria mostra que o produto está se tornando mais conhecido e acessível. Para o investidor, a principal orientação é não analisar apenas a taxa prometida. A qualidade dos recebíveis, a governança, a transparência e a capacidade de acompanhamento da carteira são os fatores que sustentam a segurança da operação.

FAQ – PERGUNTAS FREQUENTES

O que é um FIDC?

FIDC é um fundo que investe em direitos creditórios, ou seja, valores que empresas ou instituições têm direito de receber no futuro, como parcelas, duplicatas, mensalidades e empréstimos.

FIDC tem garantia do FGC?

Não. Os FIDCs não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos. A segurança depende da qualidade dos recebíveis, das garantias, da subordinação, da governança e da administração do fundo.

FIDC é melhor do que CDB?

Não existe uma resposta única. O CDB pode oferecer cobertura do FGC e maior simplicidade, enquanto o FIDC pode buscar retornos mais elevados, mas apresenta riscos de crédito, liquidez e estrutura que precisam ser avaliados.

Evento do final de semana:

Projeto Férias Hortolândia leva música, brincadeiras e diversão gratuita para crianças, evento da Prefeitura acontece no dia 17 de julho, na Escola de Artes Augusto Boal, com atrações culturais e esquenta para o Festival Internacional de As férias escolares ganham uma programação especial em Hortolândia. A Prefeitura realiza na sexta-feira (17 de julho) o Projeto Férias, evento gratuito voltado ao público infantil, com diversas atividades culturais para garantir um dia de muita diversão. A programação acontece das 9h às 16h, na Escola de Artes Augusto Boal, no Jardim Amanda.

Projeto Férias Hortolândia

LEIA TAMBÉM: A realidade brutal sobre ser homem

homem
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Por Carlos Teixeira

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