Hortolândia investirá também em ações ambientais, durante as mais de 100 intervenções e serviços previstos no PIC (Programa de Incentivo ao Crescimento). O anúncio foi feito pelo prefeito Angelo Perugini, durante a abertura do seminário que marcou na cidade o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta quarta-feira (05/06). “Investiremos cerca de 20%, mais de R$ 30 milhões em preservação ambiental para fazer cinco grandes parques com árvores, com muito plantio, recuperação ambiental, integrando o ser humano dentro do ambiente urbano. Seremos uma cidade que terá desenvolvimento, mas desenvolvimento, sob a nosso conceito, supõe fazer nossa cidade deixar de ter a devastação que teve nos últimos 40, 50 anos. O que nós vamos fazer com o nosso lixo? Será que basta deixar a sacolinha na porta da casa e esperar o lixeiro passar e levar? O que nós vamos fazer com o nosso entulho da construção civil?”, questionou o prefeito aos presentes. 

Promovido pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o evento reuniu no auditório Profª Andreia Marise Borelli, no Remanso Campineiro, cerca de 130 pessoas, dentre elas autoridades, debatedores convidados, estudantes do curso de Desenvolvimento de Sistemas da Etec-Hortolândia (Centro Paula Souza), servidores municipais e membros da comunidade. Neste ano, o tema escolhido para debate foi “Planejamento da gestão dos resíduos com sustentabilidade”.

Representando o Consimares (Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos), que neste ano completa dez anos, Fábio Orsi afirmou que Hortolândia é exemplo na questão ambiental. “É uma cidade diferenciada, com uma administração moderna, que implanta este programa de desenvolvimento, o PIC”, ressaltou, referindo-se à iniciativa que visa promover o desenvolvimento urbano, ambiental, social e humano para que Hortolândia cresça com planejamento e sustentabilidade nos próximos 30 anos.

De acordo com o promotor Rodrigo Sanches Garcia, representante do Ministério Público de São Paulo no evento, em termos regionais, entre os principais desafios dos municípios estão, segundo ele, o aprimoramento da coleta seletiva de resíduos dada a exaustão do modelo que ainda utiliza áreas como aterro sanitário e a implementação dos planos de resíduos sólidos, recém-criados. “Em Hortolândia, a atual gestão tem mostrado uma disposição de equipar a Secretaria de Meio Ambiente, tem o apoio do Consimares, que é o consórcio regional de meio ambiente. A gente verifica hoje várias ações sendo pensadas para serem colocadas em prática. Talvez o grande desafio seja gerar perenidade destas ações, porque infelizmente, a gente tem uma cultura de que, quando troca-se o governo, aquela era uma política da gestão anterior e eu não quero fazer esta gestão. A perenidade é algo que precisa ser mantido, pois existem estes cortes na troca de um governo para outro”, afirma.

Município como protagonista

Convidado a discorrer sobre “O papel do GAEMA (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente) junto aos municípios da RMC”, Garcia disse que atualmente, a data de hoje tem sido mais motivo de preocupação que de celebração, no País, em razão das mudanças nas políticas ambientais pelo governo federal. “Temos pouco o que comemorar no Brasil, no Dia do Meio Ambiente. Verificamos que atualmente há, no plano federal, um verdadeiro desmonte, uma tentativa de acabar com as conquistas dos últimos 20, 30 anos de instrumentos de defesa ambiental, com consequências incalculáveis para as gerações futuras. Neste cenário, o município, como ente federado, tem um papel de destaque para evitar este desmonte, porque o município sempre pode criar regras mais protetivas que as que o Estado criou, assumir este protagonismo. Hoje, o município pode ser este ente protetivo frente ao desmonte e ao ataque ao sistema protetivo do meio ambiente. Se o governo federal diminui as áreas de preservação de 30 ou 40 metros para 10 metros, o município pode mantê-la. Daí a importância de o município estar engajado”, esclareceu Garcia.

O prefeito Angelo Perugini concordou com a abordagem. “A defesa do meio ambiente é a defesa do ser humano. Políticas de nível federal estão provocando uma verdadeira corrida para que haja desleixo e descuido pela questão ambiental. Nós, no município de Hortolândia, queremos fazer um contraponto desta caminhada. Nosso desafio não é só mexer nas políticas públicas, mas na cabeça das pessoas. Na questão ambiental, pode ter a lei que for, se o ser humano for medíocre, pequeno, se não tiver visão, dentro dele mesmo a compreensão de toda essa estrutura, de que somos apenas uma parte dela, as leis serão pisadas e tudo será ultrapassado. Na verdade, o dinheiro acaba comprando tudo. Por isso, este desafio que fazemos aqui hoje, de sentarmos para discutir isso, o Município como ente federado, junto com representantes do Ministério Público e da faculdade. Queremos ser um sinal de que nós precisamos de levantar a nossa voz. Não é hora de calar. Como Chico Mendes que enfrentou uma luta e deu a ela a sua própria vida. Não estamos vivendo numa situação diferente da dele. Quem se arvorar muito em defender, vai dar a sua própria vida. Por isso, jovens que estão aqui hoje, vocês são nossa esperança de ganharmos as consciências das pessoas para que a gente faça do nosso planeta uma terra que não vai ser destruída pelo homem”, propôs o prefeito. Perugini homenageou o ambientalista brasileiro e líder seringueiro morto em 1988, que durante sua luta em prol da questão ambiental no Brasil, afirmou: “No início, pensei que eu defendia as seringueiras. Depois, que eu defendia a Floresta Amazônica. Daí, então, entendi que eu defendia a humanidade inteira.”

Lixo Zero como desafio

Entre os convidados para debater o tema estava a Profª Drª Emília Wanda Rutkowski, da FEC (Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) que falou sobre “Lixo Zero na RMC (Região Metropolitana de Campinas)”. “Lixo zero só tem um conceito, que é você não produzir lixo. Por quê? É uma decisão que qualquer pessoa toma, quando está com alguma coisa na mão e decide: eu não preciso disto mais. O que você faz no minuto seguinte define se isto é lixo ou se isto é resíduo. O que a gente quer é que todo mundo, quando toma a decisão, não produza lixo. É uma mudança de comportamento. Quando a gente diz ‘vou jogar o lixo fora’, onde é o fora? Não tem fora. Se você se sente responsável pelo futuro – e não só o futuro da geração que você ainda vai ter como filho, neto – mas o seu próprio futuro. Se você acha que merece futuro melhor do que este que está tendo, vai ter que mudar seu comportamento com relação à produção de lixo e de resíduo”, propôs a pesquisadora. 

Para o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Nazareno Zezé Gomes, Hortolândia está alinhada com esta visão. “A nossa proposta é bem clara: ter lixo zero, um sonho nosso, e trabalhar a educação ambiental. Hoje, no Dia Mundial do Meio Ambiente, voltar a dizer que é preciso todos se conscientizarem que este planeta somos nós. O planeta precisa de a gente trabalhar, no dia a dia, de cada um fazer a sua parte. Precisamos combater aquele descarte incorreto que a gente vê todo dia na televisão, fazer fiscalização e conscientização. A Prefeitura, mais uma vez, por meio do governo Perugini, dá suporte, traz uma estrutura muito grande para a questão ambiental, através dos PEVs (Ponto de Entrega Voluntária de Entulhos e outros materiais recicláveis), dos LEVs (Locais de Entrega Voluntária de Recicláveis), e de toda a limpeza pública da cidade”, afirmou o secretário, salientando ainda a importância de, nos municípios, o próprio prefeito priorizar as políticas ambientais. “Cidade onde o prefeito não coloca a questão ambiental como prioridade, o debate não avança”, complementou Zezé.

Agenda Verde

A coleta seletiva (porta a porta ou voluntária) é uma ação da Prefeitura, vinculada ao PIC e à Agenda Verde. Ambas as iniciativas visam envolver a população na tarefa de fazer o descarte correto de lixo e manter a cidade limpa. Incluem diversas ações de cidadania, dentre elas palestras de conscientização ambiental e plantio de árvores, bem como ações de zeladoria e coleta de lixo e entulho descartados irregularmente pelas ruas de Hortolândia.

Para a coleta seletiva voluntária a Prefeitura disponibiliza nos bairros dois tipos de equipamentos: os PEVs e os LEVs. Existem ao todo 25 equipamentos já implantados, de modo permanente – oito PEVs e 17 LEVs.

 

Este artigo foi enviado pela Prefeitura de Hortolandia