Grupo de Hortolândia estreia videoclipe produzido com inteligência artificial, reafirma sua essência no hip hop nacional, alfineta a direita e provoca debate nas redes sociais
O Face da Morte (FDM), um dos maiores nomes do rap nacional e orgulho de Hortolândia, lançou oficialmente, na noite de 26 de junho, o videoclipe “Fábrica de Rimas”, marcando uma nova fase na trajetória de um grupo que há três décadas constrói uma história de resistência, crítica social e independência artística.
A novidade chega logo após o sucesso do projeto audiovisual “FDM 30 Anos”, que revisitou clássicos da carreira com novos arranjos. Desta vez, o grupo aposta em uma música inédita que reafirma sua identidade e propõe uma reflexão sobre os rumos do rap contemporâneo, além de uma alfinetada na direita, gerando repercussão nas redes sociais.
Face da Morte completa 30 anos como referência do rap nacional
Fundado em 1995, em Hortolândia, o Face da Morte consolidou seu nome entre os principais grupos do rap brasileiro ao longo de três décadas.
Com letras marcadas por críticas sociais, posicionamento político, reflexões sobre desigualdade e defesa da cultura periférica, o grupo conquistou respeito dentro e fora do estado de São Paulo, mantendo sua independência artística desde o início da carreira.
Entre os maiores sucessos do FDM estão músicas que se tornaram clássicos do hip hop nacional, como:
- A Vingança
- Televisão
- Bomba H
- Mudar o Mundo
- Quatro Manos
- Mundo Livre
- Feito no Brasil
- Tático Cinza
Essas composições ajudaram a levar a voz do interior paulista para todo o Brasil, transformando o grupo em uma das principais referências do rap produzido fora dos grandes centros.
Projeto “FDM 30 Anos” reuniu rap e samba
As comemorações pelos 30 anos começaram com o lançamento do projeto audiovisual “FDM 30 Anos”, considerado um dos trabalhos mais importantes da história recente do grupo.
O projeto apresentou releituras de músicas marcantes ao lado do Encontro de Batuqueiros, aproximando o rap do samba em uma proposta inédita.
O audiovisual alcançou milhões de visualizações nas plataformas digitais, aproximou antigos fãs e apresentou o trabalho do grupo para uma nova geração de ouvintes.
“Fábrica de Rimas” critica o rap voltado aos algoritmos
Se o projeto comemorativo revisitou o passado, “Fábrica de Rimas” volta os olhos para o presente.
Na nova composição, o Face da Morte faz uma crítica ao cenário atual da música, especialmente à produção artística criada exclusivamente para atender algoritmos, conquistar visualizações e viralizar nas redes sociais.
A letra defende um rap construído com identidade, conteúdo e responsabilidade artística, ao mesmo tempo em que presta homenagem aos artistas que ajudaram a construir a história do hip hop brasileiro.
Sem abandonar uma característica presente desde os primeiros trabalhos, o grupo também reafirma seu olhar crítico sobre questões sociais e políticas, mantendo a essência que marcou sua trajetória desde a década de 1990.
Videoclipe aposta em inteligência artificial e estética futurista
Além da música, a produção audiovisual chama atenção pelo uso de inteligência artificial.
Inspirado no universo de ficção científica e em referências visuais que remetem à estética de Matrix, o videoclipe combina cenários digitais, efeitos tecnológicos e uma narrativa futurista que dialoga com a mensagem apresentada na composição.
A escolha demonstra que, mesmo após 30 anos de carreira, o Face da Morte continua acompanhando as transformações da indústria musical e explorando novas ferramentas criativas sem abrir mão de sua identidade.
O resultado é uma produção moderna, que une tradição e inovação para apresentar uma nova fase do grupo.
Face da Morte reforça legado em Hortolândia e no rap brasileiro
Com o lançamento de “Fábrica de Rimas”, o Face da Morte demonstra que sua história continua em construção.
Mais do que celebrar três décadas de carreira, o grupo reafirma seu compromisso com a cultura hip hop, preserva sua identidade artística e mostra que ainda possui espaço para provocar debates, dialogar com novas gerações e representar Hortolândia no cenário nacional do rap.
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