A taxa Selic foi reduzida para 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (16). A decisão foi tomada em um cenário no qual os indicadores recentes mostram desaceleração da inflação, mas as expectativas para os próximos anos continuam acima da meta e os riscos para os preços permanecem elevados.
Segundo o Comitê, a redução dos juros é compatível com a estratégia de buscar a convergência da inflação para próximo da meta ao longo do horizonte considerado pela política monetária.
O Copom também destacou que o cenário atual continua marcado por incertezas, expectativas de inflação desancoradas e riscos elevados, fatores que exigem cautela na condução dos juros.
Taxa Selic cai para 13,75% ao ano
Ao anunciar a nova taxa Selic de 13,75% ao ano, o Copom informou que continuará avaliando as próximas decisões de acordo com a evolução dos indicadores econômicos.
O Comitê afirmou que a magnitude total do ciclo de calibração da política monetária será definida a partir das novas informações disponíveis, com o objetivo de assegurar a convergência da inflação para a meta.
De acordo com o comunicado, além do objetivo de manter a estabilidade dos preços, a decisão também contribui para suavizar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego.
Apesar da redução dos juros, o Copom indicou que pretende manter uma postura cautelosa. O Comitê considera que o aumento da incerteza e os riscos relacionados à inflação ainda demandam atenção.
Inflação desacelera, mas segue acima da meta
No cenário doméstico, os indicadores apresentados desde a reunião anterior mostram uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente nos setores considerados mais cíclicos.
Mesmo com a desaceleração, a atividade permanece em patamar considerado resiliente pelo Comitê, enquanto o mercado de trabalho continua aquecido.
As divulgações mais recentes também apontam desaceleração tanto da inflação cheia quanto da média das medidas subjacentes de inflação.
Segundo o Copom, esses indicadores estão abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas permanecem acima da meta.
As expectativas coletadas pela pesquisa Focus também continuam acima da meta. Para 2026, a expectativa de inflação está em 4,9%, enquanto para 2027 a estimativa é de 4,3%.
Já a projeção do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028, considerado atualmente o horizonte relevante para a política monetária, é de 3,2% no cenário de referência.
Projeções do Copom para o IPCA
No cenário de referência apresentado pelo Comitê, a projeção para o IPCA acumulado em quatro trimestres é de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028.
| Índice de preços | 2026 | 2027 | 1º tri de 2028 |
|---|---|---|---|
| IPCA | 5,2% | 3,9% | 3,2% |
| IPCA livres | 5,2% | 4,1% | 3,2% |
| IPCA administrados | 5,3% | 3,5% | 3,2% |
Para elaborar esse cenário, o Copom utiliza uma trajetória para os juros extraída da pesquisa Focus.
A taxa de câmbio parte de R$ 5,15 por dólar e evolui conforme a paridade do poder de compra. Para o petróleo, a referência acompanha aproximadamente a curva futura durante os próximos seis meses e, posteriormente, considera aumento de 2% ao ano.
O cenário também considera bandeira tarifária amarela em dezembro de 2026 e dezembro de 2027.
Quais são os principais riscos para a inflação
O Copom avalia que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, continuam superiores ao habitual, com maior peso para os fatores que podem pressionar os preços para cima.
Entre os riscos de alta estão uma desancoragem mais prolongada das expectativas de inflação, possíveis efeitos relacionados ao petróleo e derivados, impactos climáticos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia e uma inflação de serviços mais resistente do que o previsto.
O Comitê também cita como riscos políticas econômicas externas e internas com efeitos inflacionários maiores que o esperado, inclusive por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
Outro ponto acompanhado é a possibilidade de estímulos à demanda, principalmente ao consumo, levarem a atividade econômica a crescer acima do produto potencial.
Entre os fatores que poderiam contribuir para uma inflação menor estão uma desaceleração da economia brasileira superior à projetada, uma desaceleração global mais intensa e uma eventual redução dos preços das commodities.
Cenário internacional mantém incertezas
No ambiente externo, o Copom apontou incertezas relacionadas aos conflitos armados no Oriente Médio e à condução da política monetária em algumas economias avançadas.
Esse cenário ocorre em um período de maior volatilidade nos preços dos ativos e das commodities e, segundo o Comitê, exige cautela por parte das economias emergentes.
No Brasil, o Copom também continuará acompanhando os efeitos da política fiscal sobre a política monetária e os ativos financeiros.
Os indicadores de atividade econômica observados até agora permanecem compatíveis, segundo o Comitê, com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026.
O Copom afirmou ainda que acompanhará a evolução das expectativas de inflação de prazo mais longo, já que a desancoragem dessas projeções pode influenciar a formação dos preços e elevar o custo necessário para reduzir a inflação.
Quem votou pela redução da Selic
Votaram pela decisão Gabriel Muricca Galípolo, presidente do Comitê, Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
O Comitê não estabeleceu previamente a dimensão total das próximas movimentações da taxa Selic. Conforme informado no comunicado, as próximas decisões dependerão dos novos dados econômicos e da evolução dos riscos para a inflação.
FAQ – PERGUNTAS FREQUENTES
Qual é a taxa Selic atual?
Após a decisão do Copom desta quarta-feira (16), a taxa Selic passou para 13,75% ao ano.
Por que o Copom reduziu a taxa Selic?
Segundo o Comitê, a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para próximo da meta, em um cenário de desaceleração dos indicadores de inflação e moderação gradual da atividade econômica.
Qual é a projeção de inflação do Copom?
No cenário de referência, o Copom projeta IPCA de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028.
O Copom indicou novas reduções da Selic?
O Comitê informou que a magnitude total do ciclo será definida de acordo com novas informações e com a evolução do cenário de inflação, sem estabelecer previamente o tamanho das próximas movimentações.
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