A recém introduzida norma Euro 7 está expandindo os critérios de controle de poluição, exigindo que fabricantes e fornecedores monitorem as partículas emitidas pelos sistemas de freios de caminhões. Este novo regulamento vai além do foco exclusivo nas emissões de gases dos motores e ganhou destaque nos eventos da Automechanika Frankfurt e na IAA Transportation, na Alemanha.
Nova regulamentação europeia impõe controle sobre partículas externas

Durante as frenagens, o atrito entre pastilhas e discos gera partículas cujas quantidades variam de acordo com fatores como peso, velocidade, tipo de material, temperatura e frequência de uso. Caminhões, que transportam cargas significativas, necessitam de sistemas de freio mais robustos, fazendo com que esses componentes estejam sob o olhar atento da nova norma.
Os fornecedores estão desenvolvendo materiais que minimizam o desgaste sem afetar a eficiência de frenagem, resistência térmica e durabilidade. Alterações na composição do material precisam ser rigorosamente testadas, uma vez que os sistemas de freio operam sob diferentes condições, como tráfego urbano, rodovias e descidas íngremes, que demandam esforços variados.
Sistemas de frenagem regenerativa, comuns em veículos elétricos, podem reduzir a necessidade de componentes de freio mecânicos. Durante a desaceleração, os motores elétricos atuam como geradores, recarregando a bateria. No entanto, os discos de freio continuam essenciais em situações de emergência e em velocidades mais baixas, quando a regeneração não se faz suficiente.
A utilização reduzida de freios pode resultar em corrosão dos discos, desafiando os fabricantes a integrar eficientemente os sistemas de frenagem regenerativa e mecânica. Tecnologias como software, sensores e atuadores estão se tornando fundamentais para determinar a participação de cada sistema, levando em conta fatores como estabilidade, carga, temperatura e estado da bateria.
Novo Marco Regulatório e suas Implicações no Setor de Caminhões
Os fabricantes de caminhões levantam preocupações sobre os custos e a complexidade adicionais impostos pela Euro 7. Embora a regulamentação vise diminuir a poluição, ela requer novos testes e materiais, além de intensificar os controles de produção. O debate gira em torno dos benefícios ambientais visíveis e dos investimentos necessários para veículos que ainda operam com motores a combustão.
No Brasil, enquanto o Proconve estabelece limites para emissões de motores, as emissões de partículas de freios ainda não são reguladas de maneira semelhante à legislação europeia. As inovações desenvolvidas para atender à Euro 7 podem, futuramente, influenciar fornecedores globais, culminando na disponibilização desses itens no mercado brasileiro.
A norma Euro 7 evidencia que a avaliação ambiental está se estendendo a componentes como pneus e sistemas de freio. A simples troca do motor não elimina todas as emissões geradas durante a operação do veículo. Questões como peso, desgaste, uso de energia e manutenção continuam a contribuir para o impacto ambiental dos automóveis, caminhões e ônibus ao longo de sua vida útil.
Fonte: Alpha Autos
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