Claudio Carsughi faleceu na última quinta-feira, 10 de setembro, aos 93 anos, deixando um legado que permeou diferentes épocas do jornalismo no Brasil. Para mim, a sua partida resgatou memórias de encontros que transcenderam as pautas que nos uniram ao longo dos anos.
O Jornalismo Perde um Grande Nome que Formou Gerações

Minha primeira interação profissional com Carsughi ocorreu ao término de uma coletiva da Abeifa, no Renaissance São Paulo Hotel. Enquanto aguardávamos nossos veículos, tivemos a oportunidade de um diálogo que, à primeira vista, parecia corriqueiro, mas para mim, foi marcante. Acostumado a observá-lo no SporTV, estava ali, batendo-papo como dois colegas do mesmo ofício.
Esse momento se destacou pela informalidade; não havia equipamentos de gravação ou pressão de prazos. Era apenas uma conversa entre jornalistas esperando pelos carros. Ao meu lado, estava alguém cuja trajetória eu acompanhava há anos.
Outro episódio inesquecível aconteceu em 9 de junho de 2016, durante um test-drive do Nissan March. Partimos de São Paulo rumo à Fazenda Dona Carolina, e a maior parte daquela jornada foi dedicada a ouvir Claudio. Para mim, era uma chance única de aprendizado.
Entretando, nos perdemos em conversas e acabamos sendo os últimos a chegar ao almoço programado pela organização. Aquele atraso, que inicialmente parecia ser um deslize profissional, transformou-se em uma das memórias mais queridas da minha experiência no jornalismo automotivo.
A Importância de Claudio Carsughi em Minha Carreira
Anos depois, percebo que o desvio no caminho naquele dia não importa. O que valeu foi o tempo precioso que passei ao lado dele. No carro, a troca de experiências e histórias com um jornalista que percorreu muitas estradas — nas pistas e fora delas — foi inestimável.
Nascido em Arezzo, Itália, em 1932, Claudio chegou ao Brasil ainda na juventude. Formado em engenharia, sua carreira no jornalismo abrangeu futebol, automobilismo e o setor automotivo, passando por rádio, TV e publicações impressas, contribuindo significativamente para a comunicação brasileira ao longo das décadas.
Eu também tive a honra de fazer parte do Prêmio Carsughi L’Auto Preferita, onde atuei como jurado de 2015 a 2021. Essa premiação foi uma belíssima homenagem e associou seu nome a um projeto relevante no setor automobilístico que ele tanto admirava.
Relembrar nossos encontros, conversas e os momentos juntos é um bálsamo para a alma. Alguns foram breves, enquanto outros se estenderam por toda uma viagem. Essas experiências permanecem comigo, não apenas por serem momentos de convivência, mas pela sabedoria que pude absorver.
Hoje, ao receber a notícia de sua partida, recordo especialmente daquele encontro na Alameda Santos e da viagem até a Fazenda Dona Carolina, duas situações inesperadas que se tornaram memoráveis ao longo do tempo.
Agradeço, Claudio, por cada conversa, por cada quilômetro compartilhado e, sobretudo, por tudo que aprendi ao te escutar.
Fonte: Alpha Autos
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