Até setembro, a CATL e a BYD dominaram impressionantes 54,3% do mercado global de baterias para automóveis elétricos. Essa situação eleva essas gigantes chinesas ao centro da electrificação, intensificando a dependência das montadoras em relação a fornecedores que detêm controle sobre a tecnologia, produção e fornecimento de materiais essenciais.
Concentração de Poder: Efeitos no Mercado Automotivo
A capacidade de produção em grande escala resulta na redução de custos por célula, pois a fabricação, aquisição e pesquisa estão interligadas a volumes amplos. Além disso, as duas empresas atendem uma variedade de montadoras e aplicam diferentes químicas, permitindo a personalização de preços, autonomia e desempenho para distintos modelos de veículos.
A CATL se destaca como fornecedora, enquanto a BYD também fabrica veículos. Essa dinâmica cria um cenário competitivo adicional, onde montadoras dependem de fornecedores que podem estar comercialmente alinhados com o mesmo segmento, elevando a necessidade de acordos sobre dados, capacidade e prazos de entrega.
Embora essa concentração possa aumentar a eficiência, também traz riscos significativos. Um evento disruptivo, como uma restrição comercial ou falha técnica, pode afetar simultaneamente várias montadoras. Apesar de buscarem fornecedores alternativos, a validação de novas células requer extensos testes e, em alguns casos, revê o projeto total da bateria.
Governos estão incentivando a criação de fábricas locais para diminuir essa dependência que se observa em relação às empresas asiáticas. No entanto, produzir células localmente não garante total autonomia se os insumos e conhecimentos continuarem a ser importados. O ciclo produtivo se inicia na extração e processamento de matérias-primas, passando pelos compostos químicos até a montagem final das células e módulos.
A Realidade das Baterias no Brasil
No cenário brasileiro, as baterias elétricas vêm, em sua maioria, de fora do país. Uma fábrica nacional deve ser capaz de suprir a demanda local, além de contemplar exportações ou armazenamento de energia para ser competitiva. A presença de fabricantes chineses pode favorecer o desenvolvimento de novos projetos, mas também mantém a responsabilidade sobre decisões tecnológicas fora do território nacional.
O mercado de veículos usados ficará cada vez mais dependente do suporte contínuo desses fornecedores. A disponibilidade de módulos de reposição e diagnósticos precisará ser garantida por anos. Embora baterias fabricadas em larga escala ofereçam um padrão referencial, veículos com especificações diferenciadas poderão enfrentar obstáculos quando um reparo se fizer necessário.
A participação de 54,3% no mercado mostra que a competição por elétricos não se limita às marcas visíveis aos consumidores. As empresas que fabricam as células têm influência direta nos custos e no desempenho. O desafio para a próxima década será diversificar a base de fornecedores sem comprometer a escala necessária para atender às exigências do setor.
Fonte: Alpha Autos
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