A Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade de Campinas (Seclimas) publicou nesta semana a atualização do Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE) do município, que revela uma redução de aproximadamente 11% nas emissões entre 2022 e 2024. O estudo, disponível no Portal do Clima, indica que as emissões caíram de 3,6 milhões para cerca de 2,8 milhões de toneladas de carbono equivalente (tCO₂e).
Entre 2023 e 2024, a diminuição foi de cerca de 200 mil tCO₂e, o que corresponde a 6,8%. A medição considera setores como Energia Estacionária, Transportes, Resíduos e Agricultura, Floresta e Uso do Solo (AFOLU), seguindo o Protocolo Global para Inventários de Emissões de GEE na Escala da Comunidade (GPC).
Redução significativa no setor de transportes
O transporte foi responsável por 69% das emissões municipais em 2024 e apresentou redução de cerca de 300 mil tCO₂e, ou 13%, em relação ao ano anterior. Esse resultado é atribuído à menor utilização de combustíveis fósseis, como diesel, gasolina, GNV e querosene, e ao aumento no consumo de etanol, um combustível renovável.
O setor inclui emissões geradas por deslocamentos motorizados para atividades pessoais e profissionais, abrangendo carros, motos, ônibus fretados, transporte público, caminhões e atividades logísticas. A licitação para o transporte público prevê frota renovada com, no mínimo, 60 ônibus elétricos e outras alternativas de propulsão, como biometano, GNV e hidrogênio.
Além disso, o programa Emdec + Verde já plantou 700 mudas de árvores nativas e frutíferas em terminais urbanos, visando melhorar a qualidade do ar e o conforto térmico. Destaca-se ainda que as aeronaves abastecidas no Aeroporto Internacional de Viracopos respondem por cerca de 50% das emissões do setor de transportes em 2024.
Setores de energia, resíduos e uso do solo
O setor de Energia Estacionária, que inclui geração e consumo de energia elétrica, gás natural e GLP em indústrias, empresas, residências e prédios públicos, representou 17% das emissões em 2024, apresentando aumento de 13% em relação a 2023, cerca de 56 mil tCO₂e a mais. Esse crescimento está ligado ao aumento de 41,5% no Fator de Emissão para geração de eletricidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e ao maior consumo de energia e gás natural no município.
A Agricultura, Florestas e Outros Usos do Solo (AFOLU) respondeu por apenas 1% das emissões, registrando redução de aproximadamente 1% em 2024.
O setor de Resíduos Sólidos e Efluentes teve participação de 13% nas emissões, contabilizando cerca de 360 mil tCO₂e em 2024, um aumento de 40 mil tCO₂e em comparação ao ano anterior. Esse acréscimo está relacionado à maior geração de resíduos sólidos, especialmente orgânicos, e à produção de lodo de esgoto doméstico.
Emissão per capita e plano climático local
A emissão per capita também apresentou queda, passando de 2,76 tCO₂e por habitante em 2022 para 2,37 tCO₂e em 2024, uma redução de aproximadamente 14% em dois anos, superando a redução total das emissões municipais.
O inventário foi divulgado no contexto do Plano Local de Ação Climática (PLAC), lançado pela Prefeitura em 2024. O PLAC é um instrumento estratégico que estabelece 20 ações e 96 subações com metas de curto (2030), médio (2040) e longo prazo (2050), visando a mitigação das emissões e a adaptação às mudanças climáticas, alinhado a padrões internacionais.
Algumas iniciativas implementadas incluem a criação de 30 microflorestas urbanas com mais de 46.880 mudas, o plantio de mais de 720 mil mudas em várias áreas da cidade, e a compostagem de resíduos de poda e lodo de esgoto por meio da Usina Verde, que processa em média 70 toneladas por dia.
A substituição da iluminação pública convencional por tecnologia LED, já atingindo 95% da rede, é outra estratégia de eficiência energética adotada. A infraestrutura cicloviária também vem sendo ampliada, contando atualmente com mais de 141 quilômetros implementados. Há ainda esforços para intensificar a fiscalização ambiental e ampliar programas de Pagamento por Serviços Ambientais que incentivam conservação e recuperação ambiental.
Essas medidas fazem parte da estratégia integrada de combate às mudanças climáticas e complementam o monitoramento contínuo das emissões pelo Inventário de Gases de Efeito Estufa, permitindo avaliar a evolução e aprimorar políticas públicas para cumprir as metas climáticas estabelecidas para 2030, 2040 e 2050.
Perguntas frequentes
Qual foi a redução total de emissões de gases de efeito estufa em Campinas desde 2022?
A redução foi de cerca de 11%, passando de 3,6 milhões para cerca de 2,8 milhões de toneladas de carbono equivalente entre 2022 e 2024.
Qual setor contribuiu mais para a diminuição das emissões?
O setor de Transportes foi responsável pela maior redução, com queda de aproximadamente 300 mil tCO₂e, ou 13%, entre 2023 e 2024.
Como a iluminação pública contribui para a redução das emissões?
Campinas substituiu 95% da iluminação pública convencional por tecnologia LED, que é mais eficiente e reduz o consumo de energia, ajudando a diminuir as emissões.
O que é o Plano Local de Ação Climática (PLAC)?
É um documento estratégico lançado em 2024 que define ações e metas para mitigar as emissões de gases de efeito estufa e adaptar a cidade às mudanças climáticas até 2050.
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