O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano na 282ª reunião, em novembro de 2026. A decisão ocorre em um cenário de aceleração da inflação, aumento das incertezas externas e desaceleração mais acentuada da atividade econômica brasileira.
Segundo o comunicado, o Comitê considera a manutenção dos juros compatível com a estratégia de levar a inflação para perto da meta ao longo do horizonte relevante da política monetária. Todos os sete membros relacionados no documento votaram pela decisão.
A 282ª reunião Compom que decidiu pela manutenção da taxa acontece na terça(3) e quarta-feria (4) e vem contra a queda de setembro que indicava que a taxa iria começar a baixar.
Expectativas de inflação se afastam da meta
As expectativas de inflação da pesquisa Focus para 2026 e 2027 subiram desde a reunião anterior e chegaram a 5,2% e 4,8%, respectivamente.
Já as projeções do próprio Copom, no cenário de referência, apontam inflação de 5,6% em 2026 e de 4,7% em 2027. Para o segundo trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante da política monetária, a estimativa aumentou para 3,5%.
| Índice | 2026 | 2027 | 2º trimestre de 2028 |
|---|---|---|---|
| IPCA | 5,6% | 4,7% | 3,5% |
| IPCA livres | 5,5% | 4,8% | 3,4% |
| IPCA administrados | 6,0% | 4,2% | 3,9% |
Os números representam a variação acumulada em quatro trimestres. O cenário utiliza a trajetória da Selic extraída da pesquisa Focus e adota a hipótese de bandeira tarifária verde em dezembro de 2026 e de 2027.
Petróleo e cenário externo aumentam incertezas
Na avaliação do Copom, o ambiente internacional tornou-se mais adverso com o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo e de seus derivados. A política monetária mais restritiva nas economias avançadas também contribui para o cenário de cautela.
No Brasil, os indicadores apontam uma desaceleração mais acentuada da atividade, principalmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. O mercado de trabalho permanece resiliente, mas apresenta sinais de perda de ritmo.
Ao mesmo tempo, a inflação e a média das medidas subjacentes aceleraram e ficaram acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta, conforme o comunicado.
Comitê sinaliza cautela nas próximas decisões
O Copom avalia que os riscos para a inflação continuam acima do usual, com maior peso dos fatores que podem provocar novas altas. Entre eles estão as expectativas persistentemente afastadas da meta, os impactos do petróleo e do clima e uma inflação de serviços mais resistente.
No sentido contrário, uma desaceleração mais forte da economia brasileira ou global e a queda dos preços das commodities podem contribuir para reduzir a inflação.
O Comitê informou que continuará acompanhando a evolução do cenário para manter o grau de restrição monetária necessário à convergência da inflação à meta.
Confira a análise do canal Primo rico:
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