A Transmaas Logística Internacional, renomada transportadora com sede em Uruguaiana (RS), está implementando soluções de inteligência artificial (IA) em suas operações logísticas, atuando no corredor do Mercosul. Este investimento visa trazer previsibilidade à programação dos veículos e otimizar a gestão e controle de dados, além de aprimorar o monitoramento da frota e agilizar o fluxo documental entre Brasil, Argentina, Chile e Uruguai.
Sob a liderança de Eliane Maas, CEO da Transmaas, a solução surgiu a partir da própria experiência da equipe. “Após 23 anos no setor, observamos que o volume de informações cresceu exponencialmente. Parte desse tempo era gasta apenas para reunir dados e não para tomar decisões,” afirma.
O processo de adoção da IA foi gradual: começou com a identificação de gargalos críticos para o cliente, seguido por testes controlados para validar a eficácia das soluções oferecidas, antes de expandir seu uso. “Não se tratou de uma adoção da tecnologia por si só, mas sim de uma resposta às necessidades já conhecidas,” completa Eliane.
Aprimorando Programação e Fluxo Documental
As primeiras áreas beneficiadas foram a programação dos veículos e o gerenciamento das informações operacionais, que impactam diretamente no atendimento ao cliente. A seguir, a tecnologia foi aplicada na roteirização, no monitoramento da frota e no fluxo documental. O desenvolvimento dessas soluções contou com a participação ativa da equipe responsável pela logística internacional rodoviária.
Eliane destaca que a IA foi integrada às plataformas de gestão já existentes para frota e tarefas, adicionando uma camada de suporte que melhora o processo. Hoje, cada equipe começa o dia com um relatório automatizado que resume a disponibilidade de veículos, status da frota, pendências e informações pertinentes ao mercado, tornando a operação mais ágil e organizada, com significativa redução de retrabalho.
Antes, a programação dependia bastante da experiência individual de cada colaborador, além de um esforço manual considerável para coletar dados fragmentados. Agora, a equipe tem acesso a um quadro consolidado que combina essas informações, permitindo identificar com antecedência quais veículos estão disponíveis e priorizar aqueles que necessitam de carregamento.
A CEO destaca que esse novo modelo aumentou a eficiência da frota, encurtou o intervalo entre o pedido do cliente e o embarque e possibilitou a confirmação de datas com maior segurança. “Os programadores agora dedicam mais tempo a analisar situações excepcionais e oferecer soluções ao cliente,” ressalta.
No que diz respeito ao fluxo documental, uma falha pode demora dias na fronteira. A IA agora auxilia na organização e verificação prévia das informações de cada embarque, sinalizando inconsistências antes da chegada do caminhão à aduana. A validação final dos dados ainda fica a cargo da equipe, fundamental para manter a certificação como Operador Econômico Autorizado (OEA) pela Receita Federal.
Quanto ao monitoramento, cada viagem agora é relacionada à programação, facilitando a comparação entre o planejado e o realizado. Dessa forma, é possível detectar desvios precocemente e tomar ações antes que se tornem problemas. “A equipe percebeu uma diminuição nas consultas repetidas e uma maior confiabilidade nas informações que fornecem aos clientes sobre a localização das cargas,” comenta Eliane.
Superando Desafios Culturais e de Dados
Conforme a CEO, o maior desafio enfrentado na transição foi cultural, em vez de técnico. “Em uma operação tão experiente, muitos processos são mantidos por conta do domínio que as pessoas têm sobre eles. Era natural que houvesse receio de que a tecnologia substituísse esse conhecimento. Envolvemos a equipe desde o início e usamos seu conhecimento para criar as soluções, enfatizando que o objetivo era reduzir tarefas repetitivas, não substituir pessoas,” relata.
Outro desafio enfrentado foi a qualidade dos dados, já que bons resultados exigem informações fidedignas. Segundo Eliane, esse trabalho já trouxe melhorias operacionais, pois as áreas atuam sobre uma base comum, reduzindo o ruído entre os setores operacional, comercial e administrativo.
Na pesquisa TIC Empresas 2025, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), 16% das empresas de transporte no Brasil relataram o uso de tecnologias de IA, sendo que dentre aquelas que adotaram, metade emprega a tecnologia em logística, o que representa a maior porcentagem entre os setores analisados.
Eliane ressalta que o uso de IA não é restrito a grandes companhias. “O que realmente importa é a compreensão profunda da própria operação e a disposição para revisar métodos de trabalho,” finaliza.
Próximos Passos Focados na Inovação
A Transmaas planeja integrar ainda mais as áreas beneficiadas, utilizando o histórico acumulado para prever demandas e tempos na fronteira, além de aumentar a transparência oferecida aos clientes sobre cada embarque. “No transporte internacional, o consumidor não contrata apenas o transporte da carga, mas também a segurança de saber quando e em que condições ela chegará. A tecnologia é um meio, mas a previsibilidade que buscamos entregar depende, acima de tudo, de colaboradores preparados e comprometidos com o processo,” conclui Eliane.
Com início em 2003 pela família Maas, a Transmaas opera entre Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, contando com frota própria e parcerias com terceiros, além de unidades nos países vizinhos. A empresa possui um complexo logístico de 14 mil m² na fronteira, é certificada como OEA-Segurança e se especializa em Transporte Rodoviário Internacional.
Para mais detalhes, acesse: http://www.transmaas.com.br

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