A Stellantis está propondo novas diretrizes para incentivar a fabricação de automóveis e componentes no Brasil, diante do crescimento da oferta de veículos importados. A empresa avalia que a política industrial atual, focada apenas nas tarifas de veículos prontos e naqueles que vêm desmontados, é limitada, pois não favorece uma expansão das aquisições locais.
Stellantis Planteia Regulações para Adotar Materiais Nacionais

Este posicionamento surge em um cenário em que montadoras chinesas estão aumentando sua participação no setor e anunciando operações no mercado local. Muitas delas começaram a produzir utilizando modalidades SKD ou CKD, onde componentes chegam montados ou separados, realizando a finalização da montagem no Brasil, com variações nos níveis de integração com fornecedores brasileiros.
Dados da Stellantis indicam que cerca de 700 mil veículos, totalizando aproximadamente uma tonelada de aço por unidade, deverão ser importados até o final do ano. Esse volume representa uma oportunidade para incrementar a demanda dos setores de siderurgia e transformação local.
A discussão é mais ampla e envolve a cadeia produtiva que abrange pneus, vidros, bancos, plásticos, peças metálicas, sistemas eletrônicos e serviços logísticos, essenciais para a manutenção de empregos e do know-how industrial. Quando esses itens vêm acoplados a produtos importados, uma parcela significativa do valor agregado permanece fora da economia brasileira.
O modelo de produção adotado pela China apresenta um nível elevado de verticalização, onde as montadoras possuem controle total sobre a fabricação de baterias, eletrônicos, software e outros componentes. Em contraste, empresas ocidentais têm tendido a terceirizar várias etapas ao longo dos anos. Essa disparidade impacta diretamente nos custos, na agilidade de desenvolvimento e na resposta a interrupções na cadeia de fornecimento internacional.
Oportunidade de Fortalecer a Produção Nacional
Uma política voltada para o conteúdo local deve evitar simplesmente reservar mercado. É imprescindível que os incentivos estejam alinhados com a produtividade, inovação, qualidade, redução de emissão de poluentes e capacidade competitiva. Sem metas concretas, o aumento na proteção ao mercado interno pode resultar em elevação de preços, sem necessariamente estimular o avanço tecnológico dos fornecedores ou garantir contratos em outros mercados.
O Programa Mover já está estabelecendo compromissos voltados à eficiência energética e à reciclagem. Incluir critérios que valorizem os componentes fabricados no Brasil pode fortalecer a relação entre montadoras e fornecedores. É vital que a estruturação respeite acordos comerciais e não trate processos de montagem limitados de forma similar à produção totalmente integrada.
A maneira como essa disputa se desenrolar poderá determinar a extensão da transformação automotiva realizada no Brasil. Produzir localmente envolve não apenas montar veículos, mas também participar ativamente do projeto, da fabricação de componentes e do suporte pós-venda. As respostas regulatórias que vierem a ser adotadas afetarão o emprego, as receitas fiscais, a balança comercial e a capacidade industrial nos próximos ciclos tecnológicos.
Fonte: Alpha Autos
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