Setembro impulsiona crescimento do mercado automotivo nacional

A indústria de veículos está celebrando um crescimento notável nas vendas durante este ano. A Anfavea agora projeta a venda de 3,1 milhões de veículos leves e pesados até o final de 2026, um impressionante aumento de 15,2% em comparação a 2025. Mesmo a Fenabrave, geralmente prudente em suas estimativas, reconhece que “a demanda continua vigorosa”, apesar de revisões nos números finais para o ano serem necessárias. O crescimento é impulsionado pela oferta crescente de modelos híbridos e elétricos.
Setembro impulsiona crescimento do mercado automotivo nacional

No último mês, 281,4 mil veículos foram emplacados, um número que não era visto desde dezembro de 2014. Para colocar em perspectiva o crescimento contínuo do mercado em 2026, as previsões iniciais da Anfavea falavam em um modesto aumento de 2,7% ao ano. Agora, a expectativa é de 3,1 milhões de unidades no encerramento de 2026.
Apesar do otimismo em relação ao desempenho do ano, existem algumas considerações a serem feitas. Embora o mercado tenha expandido 18%, a produção nacional só avançou 9%. Os índices mostram que as importações cresceram 30,4% de janeiro a setembro de 2026 em relação ao mesmo período anterior. Marcas chinesas, por sua vez, aumentaram significativamente sua participação no mercado, com uma impressionante alta de 106,4%.
Sobre a produção local, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que uma parte considerável do crescimento provém de veículos que vêm total ou parcialmente desmontados da China, sem utilizar a cadeia de autopeças brasileira e com mínima mão de obra local. O futuro deste cenário ainda é incerto. O presidente da Pirelli na América Latina, Cesar Alarcon, comparou a situação a um jogo de futebol: “Entramos em campo com três jogadores a menos contra os pneus importados chineses”.
Stellantis analisa a competitividade de mercado
Herlander Zola, que lidera a Stellantis na América do Sul, foi direto ao afirmar que a indústria automotiva ocidental falhou ao não reconhecer rapidamente o modelo de produção verticalizada que a China adotou. Essa estrutura resultou em custos significativamente mais baixos e abriu as portas para a exportação mundial, conforme salientou em uma entrevista recente.
Enquanto os EUA e a União Europeia implementaram tarifas protecionistas, o Brasil mostrou uma reação tardia às consequências dessa dinâmica. O aumento das taxas de importação não é a única solução viável. “Outras abordagens podem incluir a motivação para que fabricantes locais adquiram aço, pneus, plásticos e demais componentes de fornecedores nacionais. Este ano teremos 700.000 veículos leves importados. Sem ações, será mais vantajoso desmontar veículos na China e trazê-los para cá”, destacou Zola.
Além disso, o Governo Federal ainda não percebeu que uma taxação de 35% sobre as importações de veículos CKD (completamente desmontados) e SKD (semidesmontados) é insuficiente. EUA e União Europeia adotaram taxas significativamente mais altas para salvaguardar empregos locais, ignorando uma norma da Organização Mundial do Comércio que limita tarifas a 35%. Marcas chinesas são beneficiadas por subsídios governamentais, mas, pressionadas pela Europa, começam a instalar fábricas no continente, e possivelmente também nos EUA, se forem autorizadas.
Sobre a ascensão dos veículos elétricos no Brasil, Zola comentou que, em alguns estados, “quem adquire um carro a combustão pode ser recompensado”. Ele se referia à isenção total do IPVA para modelos elétricos em Pernambuco. Outros estados também estão introduzindo incentivos, e em São Paulo, veículos elétricos e híbridos (incluindo semi-híbridos) estão isentos de restrições de circulação de acordo com o rodízio.
Novidade: Honda City 2027 apresenta melhorias visuais
O Honda City, fabricado no Brasil desde 2009 e inicialmente disponível apenas como sedã, chega à linha 2027 com uma nova versão hatch RS, que possui um acréscimo de R$ 2.100 em relação ao sedã Touring. As atualizações estão concentradas na frente do veículo, agora equipada com faróis LED, e eliminou os faróis de neblina. Nas versões top de linha, uma faixa iluminada conecta os faróis. A diferença entre os para-choques do hatch e do sedã é visível. De lado, apenas as novas rodas de liga leve de 16 polegadas saltam aos olhos (exceto na versão básica, que mantém rodas de aço de 15 polegadas com calotas). A parte traseira também ganhou novos para-choques.
A versão City RS é marcada pelo acabamento em preto brilhante no teto, capas de retrovisores e defletor traseiro. As rodas de liga leve também receberam acabamento escurecido. O interior dessa variante inclui pedaleira em alumínio e uma nova central multimídia de 10 polegadas, que oferece espelhamento sem fio e portas USB-C nas versões Touring e RS. Um detalhe interessante: o ajuste de volume agora é feito movendo dois dedos verticalmente na tela, enquanto quatro dedos ativam a função mudo.
O conjunto de assistência semi-autônoma que a Honda chama de Sensing permanece a partir da versão EX. Recursos como a frenagem de emergência autônoma, câmera no espelho retrovisor direito, câmera frontal com visão ampla, controle de cruzeiro adaptativo com funções de parada e aceleração em baixa, mitigação de saída de pista, assistência para permanência na faixa e comutação automática dos faróis altos estão incluídos.
Mecanicamente, não há novidades, mantendo o motor flex aspirado de 1,5L com injeção direta, produzindo 126 cv (tanto com etanol quanto gasolina). O torque varia minimamente (15,8 kgf·m com etanol e 15,5 kgf·m com gasolina). O consumo está na casa de 9,1 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada com etanol, já com a gasolina, os números são de 12,9 km/l e 15,3 km/l. O câmbio permanece automático CVT.
Valores: R$ 118.800 a 157.500 (hatch) e R$ 118.800 a 156.400 (sedã).
Avaliação: Leapmotor B10 REEV é uma opção inteligente
Este modelo se destaca por sua excelente performance, silêncio e ausência de vibrações, sem a necessidade de planejamentos preventivos para recarga da bateria. Com a arquitetura REEV (Veículo Elétrico de Alcance Estendido), o motor a combustão interna atua exclusivamente para gerar energia, sem conexão mecânica às rodas. O Leapmotor B10 Ultra-Híbrido, da Stellantis, complementa a versão totalmente elétrica lançada há quase um ano.
A principal vantagem do sistema REEV é a sua simplicidade, eliminando a caixa de câmbio e a complexidade de sincronização entre motores, promovendo uma experiência de condução semelhante à de veículos elétricos convencionais.
No B10 REEV, a propulsão é conduzida por um motor elétrico traseiro que entrega 218 cv e 24,5 kgf·m de torque, permitindo uma aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 7,8 segundos. A bateria LFP (lítio-ferro-fosfato) de 18,8 kW⋅h proporciona uma autonomia de 68 km em modo totalmente elétrico, conforme os rigorosos padrões do Inmetro. Quando necessário, o motogerador a gasolina de 1,5L (quatro cilindros, ciclo Atkinson, 88 cv e 12,7 kgf·m) é acionado para gerar energia. Com um tanque de 50 litros, o consumo informado pelo Inmetro é de 13,5 km/l na cidade e 12,3 km/l na rodovia, oferecendo uma autonomia estimada de 675 km e 615 km, respectivamente. No ciclo otimista WLTP, essa marca pode chegar a 900 km, mas essa projeção deve ser encarada com cautela.
Em uma avaliação de 63 km envolvendo tanto áreas urbanas quanto estradas, a versatilidade do B10 REEV ficou nítida. A condução é a de um elétrico puro, com resposta imediata e uma experiência suave. A entrada do motor a combustão é quase imperceptível, operando apenas para o prazer da geração de energia, evitando o ruído constante que caracteriza Sistemas híbridos tradicionais.
As ajudas à condução (Adas, Nível 2) demonstram efetividade e ótima calibração. Embora comandos físicos para funções essenciais tenham sido eliminados, ajustes como o ar-condicionado requerem interação com a central multimídia, o que pode desviar a atenção do motorista.
O preço está bastante competitivo: R$ 179.990.
Fonte: Alpha Autos
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