A gigante automotiva Schaeffler anunciou a desativação de cinco fábricas na Europa, o que resultará na demissão de 3.460 funcionários. Essa decisão surge em resposta à redução na demanda por componentes para veículos. O plano de reestruturação abrangerá 16 unidades e deve ser finalizado até 2028.
Reestruturação prevê corte de 3.460 postos na Europa até 2028

Das cinco fábricas afetadas, quatro estão localizadas na Alemanha e uma na Bélgica. Aproximadamente 2.660 empregos serão cortados na Alemanha, representando cerca de 9% da força de trabalho da empresa no país, conforme revelado durante o anúncio da referida reestruturação.
A Schaeffler vincula essa reestruturação a uma queda na demanda por veículos com motores de combustão, um crescimento dos elétricos abaixo do esperado e a competição intensa no mercado internacional. Essa combinação impacta o mercado de produtos tradicionais, enquanto os componentes para eletrificação ainda não alcançaram um volume suficiente para suprir as fábricas.
De acordo com estimativas da empresa, o corte deve gerar uma economia anual de cerca de 300 milhões de euros até 2030, que corresponde a aproximadamente R$ 1,86 bilhões. Contudo, a reestruturação acarretará despesas extraordinárias de 480 milhões de euros, o que equivale a aproximadamente R$ 2,98 bilhões, principalmente nas fases iniciais do processo.
Os altos custos operacionais na Alemanha também influenciam essa decisão, já que a produção no país é cerca de 2,5 vezes mais cara que em outras regiões da Europa. Esta comparação engloba salários, custos de energia, impostos e estrutura industrial, além da utilização das fábricas durante períodos de baixa demanda.
Impactos da Reestruturação na Setor Automotivo
Essa situação ilustra os desafios enfrentados pelos fornecedores em uma transição tecnológica, onde eles precisam equilibrar a oferta de peças para veículos existentes, atender à demanda por motores ainda em produção e desenvolver novos produtos elétricos e digitais. Cada uma dessas linhas de produção exige equipamentos, equipes e volumes específicos, o que dificulta a troca imediata entre atividades.
O setor automotivo brasileiro também está atento a esse movimento, pois diversos componentes da Schaeffler são utilizados por montadoras e empresas de reposição. Mudanças na estrutura europeia podem afetar decisões relacionadas à engenharia, fornecimento e localização das operações, embora os efeitos variem conforme cada programa global implementado.
A reestruturação não alivia a pressão sobre o setor de fornecedores. As empresas precisam adaptar suas capacidades à diminuição de volumes, ao mesmo tempo que garantem continuidade nas entregas e nos desenvolvimentos. O sucesso dessas adaptações dependerá da recuperação na produção, da velocidade de transição para a eletrificação e da habilidade em transferir conhecimentos entre componentes mecânicos, eletrônicos e digitais.
Fonte: Alpha Autos
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