O governo britânico está em negociações com a União Europeia com o objetivo de incluir o Reino Unido na política de compras conhecida como Made in Europe. Essa ação visa proteger os fabricantes do país, que poderiam ser excluídos de programas que exigem a utilização de até 70% de componentes produzidos na Europa para se beneficiarem de contratos ou incentivos.
Impacto das Novas Regras na Indústria Automotiva do Reino Unido

A proposta faz parte do Industrial Accelerator Act, cuja intenção é reforçar a produção local e diminuir a dependência de fornecedores chineses. A definição de origem dos componentes impactará setores como automóveis, baterias, eletrônicos, aço e alumínio, que são críticos para fábricas em diversos países da Europa.
Mesmo após o Brexit, a indústria britânica continua a se integrar ao mercado europeu, com peças cruzando fronteiras antes da montagem final e veículos fabricados no Reino Unido sendo exportados para países do continente. A exclusão de componentes britânicos das exigências pode reduzir significativamente sua utilização nas fábricas europeias.
O comércio bilateral da indústria automotiva está estimado em cerca de 80 bilhões de euros, ou R$ 471,5 bilhões. As indústrias e associações do setor alertam que uma interrupção nas cadeias de fornecimento existentes poderia elevar custos e forçar a troca de fornecedores já certificados.
A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis apoia a inclusão do Reino Unido, pois as montadoras de ambos os lados compartilham plataformas e peças. Restrições somente ao território da UE podem demandar adaptações e aumentar os controles sobre a origem dos componentes, reduzindo as economias de escala nas negociações de insumos e peças.
Baterias e o Futuro do Setor Automotivo
A discussão se estende também ao fornecimento de baterias para veículos elétricos. A origem das células e componentes será crucial para a elegibilidade nos programas industriais. Os fabricantes terão que avaliar o conteúdo regional de seus produtos antes de decidir sobre as localizações de suas fábricas e a origem dos componentes para a montagem final.
Para o Brasil, esse debate enfatiza como as políticas de conteúdo regional podem gerar tanto oportunidades quanto barreiras para exportadores. Fornecedores brasileiros devem entender as regras de origem, monitorar os materiais utilizados e comprovar transformação industrial suficiente para que suas peças sejam aceitas em países compradores.
O resultado das negociações entre o Reino Unido e a União Europeia será decisivo. A inclusão no sistema de compras poderia manter uma parte da cadeia atual, enquanto a exclusão poderia acelerar as mudanças nos fornecedores. Em ambos os cenários, as montadoras precisarão revisar seus contratos antes que as novas normas influenciem nos benefícios e nas compras públicas.
Fonte: Alpha Autos
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