O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou o aumento temporário da mistura de etanol anidro na gasolina vendida nos postos brasileiros. A partir de 1º de agosto, o percentual passará de 30% para 32% durante um período inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo prazo.
Além da expectativa de reduzir a dependência da importação de gasolina e diminuir o preço do combustível, a medida também pode influenciar o consumo e o funcionamento de alguns veículos, especialmente os modelos mais antigos.
Nova mistura pode aumentar o consumo
Segundo Cláudio Santos, CEO da Blumo Mecânica Automotiva, o principal impacto da mudança está relacionado ao rendimento do combustível.
“O etanol possui menor poder calorífico do que a gasolina. Isso significa que o motor precisa consumir uma quantidade maior de combustível para produzir a mesma energia”, explica.
Na prática, alguns motoristas podem perceber um aumento no consumo, embora esse efeito varie conforme o modelo e a tecnologia utilizada no veículo.
Veículos flex tendem a sentir menos os efeitos
Os automóveis equipados com motores flex contam com sistemas eletrônicos capazes de identificar automaticamente a quantidade de etanol presente no combustível.
Com isso, a central eletrônica ajusta parâmetros como injeção e ignição, reduzindo possíveis impactos no desempenho.
“Os sistemas eletrônicos conseguem identificar a quantidade de etanol presente no combustível e ajustam o funcionamento do motor. Nesses casos, o condutor tende a perceber pouca diferença”, destaca Cláudio Santos.
Carros movidos apenas a gasolina exigem atenção
A situação pode ser diferente para veículos que utilizam exclusivamente gasolina, principalmente modelos antigos ou importados.
Segundo o especialista, alguns desses motores não foram projetados para trabalhar com concentrações mais elevadas de etanol, o que pode acelerar o desgaste de componentes como:
- mangueiras;
- vedações;
- borrachas;
- sistema de alimentação de combustível.
Etanol também pode favorecer corrosão
Outro ponto de atenção é a capacidade do etanol de absorver umidade.
Essa característica pode favorecer:
- corrosão em componentes metálicos;
- formação de resíduos no sistema de combustível;
- entupimento dos bicos injetores;
- necessidade mais frequente de manutenção preventiva.
As motocicletas também podem apresentar alterações no funcionamento, dependendo do projeto do motor.
Governo prevê redução no preço da gasolina
Além do aumento da participação dos biocombustíveis, o governo estima que a nova composição permitirá reduzir a importação de aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano.
Outra expectativa é uma queda média de R$ 0,03 por litro no preço da gasolina para o consumidor.
Motoristas devem acompanhar o comportamento do veículo
Especialistas recomendam que os condutores observem qualquer alteração no funcionamento do automóvel após a entrada em vigor da nova mistura.
Caso sejam percebidos sintomas como aumento excessivo do consumo, falhas de funcionamento, perda de desempenho ou dificuldade na partida, a orientação é procurar uma oficina especializada.
“É importante que o motorista acompanhe o comportamento do veículo. Ao perceber qualquer alteração no funcionamento, deve procurar um especialista para evitar problemas maiores”, orienta Cláudio Santos.
Com a adoção da gasolina com 32% de etanol anidro, a resposta de cada veículo dependerá de fatores como idade, projeto mecânico, tecnologia embarcada e estado de conservação.
fonte alpha autos
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