A Hyundai está realizando investigações e formando colaborações no Brasil com o objetivo de reaproveitar materiais de automóveis no fim de sua vida útil, reintegrando-os na fabricação de novos veículos. Essa iniciativa foi revelada durante o ETRI 2026, na Universidade de São Paulo, em uma demonstração do compromisso da empresa com a economia circular.
Iniciativas de Parcerias para Reciclagem de Veículos

Segundo Fábio Bonilha, gerente sênior de ESG e Inovação da Hyundai para a América Central e do Sul, “Estamos introduzindo novos projetos no Brasil e estabelecendo parcerias locais para criar um ecossistema voltado à reciclagem de veículos”. O objetivo é organizar uma rede que viabilize a reciclagem em larga escala.
Um projeto que serve de modelo é o internacional Car to Car, que recupera materiais e peças de veículos descartados para serem usados em novos automóveis. Essa abordagem visa diminuir a dependência de matérias-primas, diminuir as emissões durante a produção e evitar interrupções nas cadeias globais de fornecimento.
A estruturação da reciclagem no Brasil envolve empresas que possam desmontar os veículos, separar os materiais e preparar os componentes para reutilização. Questões como a rastreabilidade dos componentes ao longo do ciclo de vida e a implementação de sistemas para a recuperação de veículos são prioridades para os executivos da Hyundai.
Bonilha também enfatizou que a análise ambiental deve considerar não apenas as emissões geradas durante o uso do veículo, mas também incluir a extração de matérias-primas, a fabricação de peças, o transporte, a montagem e o descarte ao final da vida útil do automóvel.
Desenvolvimentos em Reciclagem
A organização da cadeia de fornecedores desempenha um papel crucial nesse processo. Bonilha destacou que a proximidade das empresas fornecedoras à fábrica da Hyundai em Piracicaba, interior de São Paulo, pode ajudar a reduzir os custos de transporte e as emissões relacionadas ao deslocamento de componentes.
O Programa Mobilidade Verde e Inovação, conhecido como Mover, foi mencionado como uma ferramenta para unir exigências ambientais e fomentar o desenvolvimento tecnológico. No entanto, Bonilha adverte que a implementação da circularidade depende do fortalecimento industrial e de processos de recuperação, além de regulamentações que possibilitem planejamentos de projetos e investimentos.
A colaboração com universidades é parte integrante dessa estratégia. As pesquisas realizadas podem ajudar a criar metodologias para mensurar a pegada de carbono, reduzir custos, analisar materiais disponíveis localmente e verificar a viabilidade de reintegrar componentes reciclados na produção.
No que diz respeito às baterias de veículos elétricos, a Hyundai contempla duas fases de reutilização: a primeira envolve a adaptação em sistemas estacionários de armazenamento, incluindo usos ligados à energia solar. Após essa etapa, minerais e outros materiais poderão ser recuperados e reinseridos na produção.
O Hyundai Nexo é um exemplo que utiliza plásticos e tecidos feitos a partir de PET reciclado, além de materiais de fonte biológica. Bonilha aponta que no Brasil, apenas 3% dos veículos são reciclados, enquanto esse percentual nos Estados Unidos fica entre 30% e 40%.
Fonte: Alpha Autos
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