Fornecedores brasileiros se adaptam à nova era dos veículos conectados

As empresas fornecedoras do setor automotivo no Brasil estão em processo de reestruturação, adequando seus produtos e métodos de trabalho para atender às novas exigências de eletrificação, conectividade e veículos geridos por software. Este movimento demanda habilidades inovadoras, sem descontinuar a produção de componentes para os veículos a combustão que ainda seguem em circulação.
Mudanças em Componentes e Contratos em Face da Eletrificação

Os sistemistas têm um desafio à frente: escolher as tecnologias que serão desenvolvidas localmente, importadas ou compartilhadas com outras filiais do grupo. Fatores como previsão de demanda, capacidade de engenharia e duração dos projetos impactam suas decisões. Uma tentativa de nacionalização sem a devida escala pode encarecer custos; por outro lado, a importação aumenta os riscos relacionados a flutuações cambiais e complexidades logísticas.
A concorrência com os fabricantes chineses intensifica a necessidade de decisões rápidos. Veículos originários da China têm chego ao mercado com avançadas interfaces de usuário, sistemas conectados, suporte ao condutor e arquiteturas eletrônicas inteiramente integradas. Montadoras consolidadas estão pressionando seus fornecedores a cumprirem prazos mais curtos e a adicionarem funcionalidades antes disponíveis apenas em modelos mais caros.
Além disso, os componentes mecânicos agora contam com forte dependência de eletrônica e softwares. Elementos como bancos, sistemas de freios, direção, iluminação e climatização utilizam sensores e atuadores. Desta forma, o trabalho dos fornecedores vai além da mera entrega de peças, englobando responsabilidades sobre comunicação e atualização do sistema.
Essas mudanças impactam diretamente os acordos e validações entre montadoras e fornecedores. Eventuais falhas podem surgir no material, na fiação, no software ou na sinergia entre módulos. Assim, é vital que ambos definam claramente o acesso aos dados, as responsabilidades em casos de correções e o suporte oferecido após a saída do veículo da linha de montagem.
Desafios para a Indústria Local em Meio à Transformação Digital
A cadeia produtiva de pequenas empresas enfrenta diversos obstáculos, incluindo a dificuldade em recrutar talentos, adquirir tecnologias e adequar-se às normas de cibersegurança. Empresas que tradicionalmente fornecem componentes isolados agora precisam se integrar em redes digitais de desenvolvimento e fabricação, pois uma conexão vulnerável pode facilitar ataques cibernéticos aos sistemas das montadoras.
Embora o Brasil conte com uma infraestrutura de engenharia, fábricas e um mercado propício ao desenvolvimento local, a viabilidade das iniciativas depende da previsibilidade das condições econômicas. Mudanças em regulamentações, impostos ou diretrizes comerciais durante os projetos podem comprometer tanto o retorno do investimento quanto os cronogramas de entrega. Portanto, a formação profissional deve acompanhar os avanços em eletrônica, software e técnicas de produção industrial.
A corrida pelo avanço tecnológico não elimina as competências clássicas. Processos como estampagem, fundição e usinagem continuam sendo fundamentais, mas agora convivem com a necessidade de integração com sensores e softwares. O futuro dos fornecedores brasileiros no setor automotivo depende de sua habilidade em unir essas áreas e na participação ativa nas fases de concepção dos projetos.
Fonte: Alpha Autos
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