Automóvel

Financiamento para motociclistas cresce, mas com riscos a controlar

O programa Move Brasil para entregadores e motociclistas já contabiliza 21 mil financiamentos realizados, beneficiando profissionais que dependem do veículo para seu trabalho. Esse resultado amplia o acesso ao crédito, mas também levanta discussões entre montadoras e instituições financeiras sobre como mitigar a inadimplência e o alto comprometimento da renda.

Financiamento para entregadores avança com 21 mil veículos

Imagem de motocicleta para entregas
Foto: Pexels-Rafael Abramoff

Esse número excede as 19 mil motocicletas financiadas no início do programa, focando em trabalhadores da entrega e transporte por aplicativos. Muitos deles enfrentam dificuldades financeiras, especialmente se não possuem vínculos empregatícios formais ou um rendimento previsível.

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo) aponta que cerca de 78% das motos vendidas estão na categoria de entrada. O programa de financiamento, apesar de marcar 21 mil unidades, representa uma fração pequena em relação a um mercado que movimenta aproximadamente 1,7 milhão de motos por ano.

É fundamental lembrar que a renda dos motociclistas pode variar bastante, influenciada pela demanda, horas trabalhadas, tarifas e despesas operacionais. Custos como combustível, manutenção, pneus e seguros devem ser considerados, pois comprometem o valor disponível para pagamento das parcelas, tornando indispensável uma análise mais aprofundada do faturamento gerado pelos aplicativos.

Novas diretrizes podem incluir o histórico de trabalho, a regularidade de pagamentos e a relação entre o valor da parcela e a renda líquida. Contudo, é crucial que o acesso a dados respeite a privacidade e o consentimento dos profissionais. Não se deve permitir que flutuações temporárias impeçam a obtenção de crédito a longo prazo.

Desafios do financiamento para motociclistas exigem atenção

Uma motocicleta com financiamento precisa estar disponível para que o profissional gere sua renda. Problemas como falhas mecânicas, acidentes ou furtos podem resultar em dificuldades financeiras que afetam as parcelas. A inclusão de seguros, assistência e manutenção preventiva deve ser parte do cálculo do risco, ainda que não sejam diretamente refletidos na taxa de juros contratada.

Para os fabricantes, o programa representa uma oportunidade vinculada ao uso profissional, ao contrário da aquisição de motos para lazer. Aspectos como durabilidade, eficiência de combustível, capacidade de carga e disponibilização de peças de reposição tornam-se críticos, considerando o uso intenso destinado à geração de receita.

O avanço do programa Move Brasil destaca a necessidade de integrar políticas de crédito e mobilidade profissional. Ampliar o acesso ao financiamento pode contribuir para a renovação de frotas e formalização de serviços, mas o sucesso depende de parcelas acessíveis, uma avaliação precisa dos custos totais e salvaguardas contra interrupções de renda.

Fonte: Alpha Autos

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