É bem verdade que eu demorei mais do que deveria para assistir O Bar, filmaço espanhol na Netflix. Digo isso, pois já havia lido críticas extremamente positivas e recebido indicações de amigos cinéfilos. Mas, antes tarde do que nunca, correto?!

O diretor Alex de La Iglesia tem uma vasta e diversificada carreira. E apesar de já ter ido para os Estados Unidos, onde rodou um dos capítulos da antologia “O ABC da Morte 2”, é em seu país de origem que consegue maior liberdade para seu ofício. E antes deste O Bar, já tinha encantado o mundo com sua assinatura marcante em “A Balada de Amor e do Ódio”.

Aqui, ao mesclar gêneros variados como comédia, terror e drama e trazer um elenco formidável, ganha escopo para dialogar com o público sobre o abismo entre as classes sociais, a relação entre patrão e empregado e a descida moral de nossa sociedade quanto ao respeito e zelo com o próximo.

E mesmo que o filme seja de 2017, não poderia ser mais atual. Há paranoias, teorias conspiratórias de todos os tipos (até abdução alienígena é citada aqui), mentiras e uma inconstância que revela, por vezes, o lado mais perverso de cada um.

Não há vilões ou mocinhos e, numa cultura como a nossa, O Bar é um soco no estômago do início ao fim. Aquele tipo de material que te fará refletir por algumas horas.

Destaque para o design de produção, que enche os olhos em cada novo frame.

SINOPSE:

Em um bar no centro de Madri, várias pessoas tomam café da manhã tranquilamente, como de costume. Mas, quando um dos clientes leva um tiro na cabeça ao colocar os pés fora do local, o clima de tensão invade o local. Agora eles estão presos, já que temem sair do bar e também serem mortos. O problema é que a convivência com estranhos pode ser tão perigosa quanto se arriscar do lado de fora.

Por Éder Pessôa

Redator Freelancer

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