Juros do cartão de crédito voltaram a subir no Brasil e atingiram 435,9% ao ano em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (30). O índice representa um aumento de 11,4 pontos percentuais em relação a janeiro, quando a taxa estava em 424,5% ao ano.

O patamar é o terceiro maior já registrado para o mês de fevereiro desde 2017. Na prática, o dado reforça o alto custo do crédito no país, especialmente para consumidores que não conseguem pagar a fatura total do cartão.
De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, essa modalidade continua sendo a mais cara do mercado, superando outras linhas como cheque especial e crédito consignado.
Índice
Como os juros do cartão de crédito impactam a dívida
O rotativo do cartão de crédito é acionado quando o consumidor paga apenas uma parte da fatura. Nesse caso, o saldo restante entra automaticamente em uma linha de crédito com juros elevados.
Na prática, o impacto é significativo. Um exemplo citado mostra que uma dívida de R$ 800 pode crescer para R$ 4.287,2 após um ano, caso não seja quitada.
Esse crescimento acontece porque os juros são compostos, ou seja, incidem sobre o valor acumulado ao longo do tempo.
Além disso, o rotativo também inclui:
- Compras não pagas integralmente
- Saques feitos na função crédito
- Parcelamentos não quitados dentro do prazo
Segundo especialistas, essa modalidade deve ser evitada sempre que possível devido ao seu custo elevado.
Entenda por que os juros são tão altos
Apesar dos números elevados, o Banco Central explica que a taxa anual divulgada é uma extrapolação estatística baseada nos juros mensais.
Isso significa que:
- Nem todos os consumidores permanecem um ano inteiro no rotativo
- A taxa serve como referência de custo e tendência
- O valor efetivo pago pode variar conforme o tempo da dívida
De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, a série histórica continuará sendo divulgada porque ajuda a acompanhar a evolução do crédito no país.
Limite de juros não impede taxa elevada
Desde 2024, uma regra definida pelo Conselho Monetário Nacional limita os juros do rotativo a 100% do valor original da dívida.
Na prática:
- Uma dívida de R$ 200 não pode ultrapassar R$ 400 no total
- O limite inclui juros e encargos
Mesmo assim, a taxa anual segue alta porque representa uma projeção teórica baseada no comportamento mensal dos juros.
Ou seja, não indica necessariamente descumprimento da lei, mas sim uma forma de medir o custo do crédito.
Cheque especial também sobe e preocupa
Além do cartão de crédito, o cheque especial também registrou alta em fevereiro.
A taxa média chegou a 147% ao ano, um aumento de 9,6 pontos percentuais em relação a janeiro.
Nesse caso, uma dívida de R$ 800 pode crescer para cerca de R$ 1.976 após um ano.
O cheque especial é considerado a segunda linha de crédito mais cara do país e costuma ser utilizado automaticamente quando o saldo da conta fica negativo.
Crédito consignado segue como alternativa mais barata
Para quem busca opções com juros menores, o crédito consignado aparece como alternativa.
Essa modalidade tem desconto direto na folha de pagamento, o que reduz o risco para os bancos e, consequentemente, as taxas cobradas.
Em fevereiro, os juros médios do consignado ficaram em 28,2% ao ano.
Dentro dessa linha:
- Beneficiários do INSS pagam cerca de 24,2% ao ano
- Servidores públicos, 23,8% ao ano
- Trabalhadores do setor privado, 59,4% ao ano
Apesar de também apresentar alta, o consignado ainda é significativamente mais barato que o rotativo do cartão.
O que é o rotativo do cartão de crédito
O rotativo é uma linha de crédito pré-aprovada no cartão e entra em ação quando a fatura não é paga integralmente.
De acordo com as regras atuais:
- O banco deve oferecer parcelamento da dívida em até 30 dias
- O cliente pode migrar para condições mais vantajosas
- O objetivo é evitar o acúmulo de juros excessivos
Mesmo assim, especialistas recomendam atenção, já que essa transição nem sempre reduz significativamente o custo total da dívida.
Como evitar dívidas com juros altos
Para reduzir o impacto dos juros do cartão de crédito, algumas orientações são recomendadas:
- Priorizar o pagamento total da fatura
- Evitar entrar no rotativo
- Negociar dívidas rapidamente
- Avaliar opções mais baratas, como consignado
- Controlar gastos mensais
Em cidades como Hortolândia e região de Campinas, onde o custo de vida tem pressionado o orçamento das famílias, o uso consciente do crédito se torna ainda mais importante.
Conteúdo complementar
Vídeo recomendado:
Procure no YouTube por “como sair do rotativo do cartão de crédito” para entender estratégias práticas de negociação e organização financeira.
Sugestão de link interno:
Guia sobre como consultar benefícios sociais pode ajudar no planejamento financeiro familiar.
FAQ sobre juros do cartão de crédito
1. O que acontece se eu não pagar a fatura do cartão?
O valor entra no rotativo e passa a ter juros altos, podendo crescer rapidamente.
2. Os bancos estão descumprindo o limite de juros?
Não necessariamente. A taxa divulgada é uma projeção anual e não o valor final cobrado.
3. Qual é a melhor alternativa ao rotativo?
O crédito consignado costuma ter juros mais baixos e condições mais previsíveis.
LEIA TAMBÉM: Lei nº 15.211/26, ECA Digital-Lei Felca: entenda regras, impactos e debate

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