O setor de bares e restaurantes no Brasil enfrenta uma combinação de desafios que envolvem dificuldade para contratação, baixos salários, mudanças no comportamento da força de trabalho e impactos diretos dos aplicativos de delivery. A realidade descrita por profissionais da área mostra um cenário distante da imagem popularizada por programas de televisão e redes sociais.

A rotina dentro das cozinhas profissionais é marcada por pressão constante, ambiente acelerado e exigência física e emocional elevada. De acordo com relatos do setor, esse contexto acaba afastando parte dos trabalhadores, especialmente os mais jovens, o que tem intensificado a dificuldade de contratação.
Salários e dificuldade de sobrevivência
O piso salarial de um auxiliar de cozinha em 2026 varia entre R$ 1.621,00 e R$ 1.900,00 para uma jornada de 44 horas semanais. A média nacional gira em torno de R$ 1.853,00, podendo ser maior dependendo da convenção coletiva.
Apesar de estar acima do salário mínimo, profissionais apontam que o valor é insuficiente para manter uma família, especialmente no estado de São Paulo. O aumento do custo de vida e o alto nível de juros no país impactam diretamente o poder de compra.
Esse cenário levanta questionamentos sobre a atratividade da profissão e contribui para a alta rotatividade no setor.
Setor de bares e restaurantes e a dificuldade de contratar
Dados indicam que cerca de 90% dos empresários consideram difícil contratar novos funcionários.

A discussão sobre a falta de interesse da chamada geração Z no trabalho também aparece nesse contexto. No entanto, especialistas apontam que fatores como condições de trabalho e remuneração têm peso relevante nessa decisão.
Segundo o pesquisador do IPEA, Marcus Hecksher, programas sociais podem dar ao trabalhador a possibilidade de não aceitar qualquer condição de emprego, o que impacta setores historicamente marcados por baixos salários.
Margem de lucro e realidade dos empresários
Há uma percepção comum entre trabalhadores de que os donos de restaurantes têm margens elevadas. No entanto, dados do setor indicam outra realidade.
Estudos apontam que o lucro médio dos restaurantes gira em torno de 10%, com muitos negócios operando no prejuízo ou apenas empatando.
Além disso:
- 23% das empresas registraram prejuízo em determinado período
- 35% possuem dívidas em atraso
- Custos como taxas de cartão e desperdícios reduzem ainda mais a margem
Outro ponto relevante é o aumento dos insumos, que subiram 6,3%, acima da inflação geral de 4,83%.
Cada real que entra já sai comprometido, Já vi restaurante com fila na porta quebrar, “comércio quebra faturando”. Mais comum do que se acredita o motoboy e os funcionários saírem com dinheiro e o proprietário sem nada!
Vivemos em um pais livre porém é muito incomodo ouvir pessoas dizendo coisas como “lucro é roubo” como defende Gustavo Machado, socialista.

Na prática, isso significa que muitos estabelecimentos vendem com margem reduzida ou até prejuízo para manter o fluxo de clientes.
Impacto dos aplicativos de delivery
O crescimento de plataformas como iFood e 99 também alterou a dinâmica do setor. Embora ampliem a visibilidade dos estabelecimentos, os aplicativos impõem taxas que reduzem a margem de lucro.

Além disso, o comportamento do consumidor mudou. A busca por cupons, frete grátis e preços baixos se tornou comum, o que dificulta a sustentabilidade financeira dos restaurantes.
Outro efeito observado é a baixa fidelização de clientes que chegam por meio dessas plataformas.
Rotatividade e mudança no perfil de trabalho
O Abrasel setor de bares e restaurantes possui cerca de 4,94 milhões de trabalhadores diretos, sendo que 94% dos estabelecimentos são microempresas.
A rotatividade é um dos principais desafios. O índice já chegou a 74,3%, mais que o dobro da média do setor de serviços.
Após pandemia que devastou o setor de bares e restaurante em especial em são Paulo, agravada pelo Governador João Dória, 62% os trabalhadores não retornaram ao setor, buscando alternativas como o trabalho de entregador.
Comparação entre cozinha e delivery
Um auxiliar de cozinha que recebe cerca de R$ 1.900 ganha aproximadamente R$ 9,50 por hora.
Já um motoboy, segundo dados do setor, pode alcançar média de R$ 24 por hora.
Muitos viram como alternativa se transformar no “cara que retira o lanche” o motoboy, segundo o ifood, em 2024, um motoboy teve o ganho médio de R$ 24,00 (vinte quatro reais), por hora.

A diferença salarial, aliada à menor exigência técnica inicial, tem atraído trabalhadores para o delivery. No entanto, a atividade também envolve riscos, como acidentes de trânsito.
Enquanto isso, o trabalho na cozinha exige:
- Agilidade constante
- Resistência ao calor e pressão
- Organização e ritmo acelerado
Essa comparação ajuda a explicar a migração de profissionais.
Relação entre consumidor e comércio local
Outro ponto destacado é o comportamento do consumidor. A busca por preços cada vez mais baixos, muitas vezes impulsionada por cupons e promoções, pode impactar diretamente a saúde financeira dos estabelecimentos.
Na prática, pedidos com margens reduzidas não contribuem para a sustentabilidade do negócio, especialmente em pequenos restaurantes e lanchonetes.
Possíveis caminhos para o setor
Não há uma solução simples para os desafios enfrentados pelo setor de bares e restaurantes. No entanto, alguns pontos são frequentemente citados:
- Valorização do comércio local
- Melhor percepção de preço justo por parte do consumidor
- Ajustes na política econômica e nos custos operacionais
- Capacitação e evolução profissional dentro da área
Do ponto de vista individual, profissionais da área costumam destacar a importância de buscar crescimento e novas oportunidades dentro ou fora da cozinha.
Diante desse cenário, o setor de bares e restaurantes vive um ciclo difícil de romper. De um lado, o trabalhador recebe pouco e enxerga no empresário a origem do problema. Do outro, o empresário afirma operar com margens apertadas, muitas vezes sem lucro real ao final do mês. No meio dessa relação, o consumidor busca economia e prioriza descontos, cupons e frete grátis, o que pressiona ainda mais os preços.
Ao mesmo tempo, os aplicativos de delivery ampliam a visibilidade dos estabelecimentos, mas impõem condições que reduzem a rentabilidade e dificultam a fidelização de clientes. Na prática, o cliente atraído pelo desconto raramente se torna recorrente, enquanto o custo da operação permanece alto.
O resultado é um modelo em que todos os envolvidos relatam insatisfação: o trabalhador pela remuneração, o empresário pela falta de retorno e o consumidor pelo preço. Esse conjunto de fatores evidencia um problema estrutural, em que a conta não fecha de forma sustentável para nenhum dos lados, mantendo o setor em constante pressão.
FAQ sobre o setor de bares e restaurantes
Por que está difícil contratar no setor de bares e restaurantes?
A combinação de baixos salários, condições de trabalho exigentes e novas opções de renda tem reduzido o interesse dos trabalhadores.
Qual é o lucro médio de um restaurante?
De acordo com dados do setor, o lucro médio gira em torno de 10%, com muitos negócios operando no limite ou no prejuízo.
Por que muitos profissionais estão migrando para delivery?
Principalmente pela possibilidade de ganhos maiores por hora e menor exigência inicial de qualificação.
Conteúdo complementar
Sugestão de pauta interna: impacto dos aplicativos de delivery no comércio local de Hortolândia e região
Sugestão de vídeo: rotina real de uma cozinha profissional versus expectativa popular
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