A ameixa descartada SC virou tema de comoção após um produtor rural de Urubici, na Serra Catarinense, divulgar um vídeo em que mostra cerca de 50 toneladas da fruta jogadas no campo. A gravação, que viralizou nas redes sociais, mostra um verdadeiro “tapete” rosado de ameixas e expõe a dificuldade de comercialização enfrentada no setor.

No vídeo, o produtor oferece a fruta gratuitamente para quem quiser buscar, tentando evitar o desperdício total da produção. “Ó, pessoal. Quem quiser vir pegar, tá aqui”, diz.
A situação chamou atenção pela quantidade descartada e pelo desabafo direto sobre a falta de compradores no mercado.
Índice
Ameixa descartada SC expõe crise na comercialização
De acordo com o produtor, a ameixa precisava ser comercializada em um período curto, entre 40 e 50 dias. Sem conseguir vender dentro desse prazo, ele afirmou que foi obrigado a descartar a produção na última sexta-feira (27).

Mesmo com armazenamento em câmara fria, a fruta não resistiu à falta de demanda.
Ele também destacou a diferença entre o valor pago ao produtor e o preço cobrado ao consumidor final.
“No mercado, é muito caro. E para nós, produtores, é barato. Não tem o que falar, foi uma perda, um comércio ruim. Vai fazer o quê? Ela é estável em câmara fria. Não tinha comércio, o povo sem dinheiro. Mas isso faz parte da vida”
O relato reforça um cenário comum em diferentes regiões do país, onde a produção agrícola enfrenta dificuldades para escoamento, mesmo com preços elevados ao consumidor.
Produção de ameixa é forte em Santa Catarina
Santa Catarina é um dos principais produtores de ameixa do Brasil. De acordo com dados de anos anteriores da Epagri/Cepa, o estado já chegou a responder por cerca de 30% da produção nacional.
A atividade envolve mais de 400 produtores distribuídos em aproximadamente 40 municípios. A colheita ocorre entre novembro e março, com maior concentração entre dezembro e fevereiro.
Esse calendário curto aumenta a pressão sobre a comercialização, já que a fruta tem prazo limitado para venda.
Preço da ameixa e impacto no produtor
Segundo dados das Centrais de Abastecimento do Estado de Santa Catarina (Ceasa/SC), a ameixa foi comercializada em março por cerca de R$ 5,80 o quilo.
Já no início da safra, em janeiro, o preço chegou a aproximadamente R$ 9 por quilo, com caixas de 10 quilos sendo vendidas por até R$ 90.
Mesmo com esses valores, o produtor relata que o retorno financeiro não acompanha o preço final pago pelo consumidor.
Esse descompasso entre produção e venda é um dos principais fatores que levam ao desperdício de alimentos no campo.
Tradição familiar e dificuldades no campo
O produtor afirmou que a produção de ameixa faz parte da história da família há décadas. “Vou fazer 40 anos este ano. Faz 70 anos que está na família”.
Segundo ele, o pai também trabalha com agricultura, mas com a produção de maçã, que não foi afetada da mesma forma.
Ele ainda destacou que outros produtores da região enfrentam dificuldades semelhantes, especialmente em culturas como tomate e cebola.
“Tenham força, porque não está fácil. Não é fácil para o produtor agrícola hoje”, afirmou.
O que explica o descarte de alimentos no campo
Situações como a da ameixa descartada não são isoladas. Alguns fatores ajudam a entender o problema:
- Prazo curto de comercialização de produtos perecíveis
- Falta de demanda suficiente no período da safra
- Diferença entre preço pago ao produtor e ao consumidor
- Custos logísticos e de armazenamento
- Redução do poder de compra da população
De acordo com o próprio produtor, a falta de dinheiro entre consumidores impacta diretamente a venda.
Impacto que vai além da produção
Além do prejuízo financeiro, o descarte de alimentos também gera impacto social e ambiental.
A cena das ameixas no chão chamou atenção justamente por representar desperdício em um contexto onde muitas famílias enfrentam dificuldade para comprar alimentos.
A iniciativa de liberar a colheita para a população foi uma tentativa de reduzir esse impacto, mesmo diante da perda.
FAQ sobre ameixa descartada SC
Por que o produtor descartou as ameixas?
Porque não conseguiu vender a produção dentro do prazo de 40 a 50 dias.
Qual foi a quantidade descartada?
Aproximadamente 50 toneladas de ameixas.
Santa Catarina é grande produtora de ameixa?
Sim, o estado já respondeu por cerca de 30% da produção nacional.
Conteúdo complementar
Vídeos que mostram a realidade do campo e o desperdício de alimentos ajudam a entender o problema e podem ser usados para contextualizar a situação em reportagens e redes sociais.
LEIA TAMBÉM: Lei nº 15.211/26, ECA Digital-Lei Felca: entenda regras, impactos e debate

Para mais notícias, eventos e empregos, siga-nos no Google News (clique aqui) e fique informado
Lei Proibida a reprodução total ou parcial, sem autorização previa do Portal Hortolandia . Lei nº 9610/98




