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Home Notícias Nossa Região

Jovens de bairros de Campinas criam tecnologia própria, moda sustentável e ações culturais contra a crise climática

editor por editor
02/09/2026
em Nossa Região
samba-na-horta
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Moradores do Campo Belo, Campo Grande, Parque Oziel e Parque Itajaí começaram a acompanhar desdobramentos práticos da pesquisa JUCAMP (Juventudes, Raça e Mudanças Climáticas em Campinas). Quatro iniciativas criadas e lideradas por jovens de territórios periféricos da cidade receberam financiamento e suporte técnico para implementar projetos de cartografia digital, ateliê têxtil, educação pelo Hip-Hop e agroecologia.

A ação comunitária responde ao diagnóstico apresentado em julho pelas organizações Em Movimento, Minha Campinas, Fundação FEAC e Rede Conhecimento Social (ReCoS). O levantamento inédito revelou que 58% dos jovens campineiros têm suas expectativas de futuro afetadas pela emergência climática. Na rotina urbana do município, os gargalos são diários: 73% enfrentam dificuldades com o transporte coletivo em dias de chuva forte, 75% sofrem com falta de energia elétrica em ventanias e 70% relatam interrupções de internet.

Para viabilizar as soluções locais, o Edital JUCAMP destinou R$ 15 mil a cada uma das quatro iniciativas selecionadas, além de um ciclo de mentorias institucionais em gestão e comunicação. “O diagnóstico de Campinas mostrou que o impacto climático é uma realidade do cotidiano periférico da cidade. Os quatro projetos transformam esse levantamento em ferramentas concretas para que os próprios moradores documentem, analisem e enfrentem os problemas de seus bairros”, afirma Iasmim Vieira, coordenadora de projetos do Em Movimento.

“Um dos valores da JUCAMP está em não encerrar o processo no diagnóstico. Quando os dados produzidos a partir da experiência das próprias juventudes retornam aos territórios e se transformam em iniciativas lideradas por elas, damos um passo importante: o conhecimento passa a fortalecer a capacidade local de construir respostas. Para a Fundação FEAC, apoiar esse movimento é reconhecer as juventudes não apenas como quem vivencia os impactos das mudanças climáticas, mas como atores capazes de produzir soluções, mobilizar suas comunidades e incidir sobre a realidade da cidade. É sobre construir com as juventudes, e não para elas”,  afirma Tatiane Zamai, gerente de Desenvolvimento Social da Fundação FEAC.

Mapeamento e tecnologia comunitária no Campo Belo

O projeto “Cartografia Climática Periférica”, do coletivo Assaltar as Nuvens, capacita jovens do Campo Belo em tecnologia de código aberto e Geração Cidadã de Dados (GCD). O grupo está estruturando servidores autônomos e painéis de visualização próprios para mapear e georreferenciar pontos de alagamento, ilhas de calor e acúmulo irregular de resíduos no bairro.

“A tecnologia é um campo de disputa política. Quando a gente constrói a ferramenta com dados do nosso próprio território, a denúncia das vulnerabilidades ganha força e não depende de estimativas genéricas ou corporativas”, explica João Augusto Paranhos, idealizador do Assaltar as Nuvens.

João também destaca o impacto do projeto para a mobilização municipal: “Os jovens deixam a posição de consumidores de tecnologia para atuar como desenvolvedores e multiplicadores comunitários, produzindo uma base pública de dados para cobrar soluções diretas do poder público local.”

Educação e cultura urbana no Campo Grande

No Distrito do Campo Grande, o Cursinho Popular Responsa! desenvolve o projeto “Rima e Território: Quem Tem Direito à Cidade?”, direcionado a 80 estudantes do pré-vestibular e trabalhadores precarizados, como entregadores de aplicativo que enfrentam a rotina sob calor extremo.

O ciclo de seis sábados inclui aulas sobre racismo ambiental, dinâmica urbana e palestras com MCs da Batalha do Cálice. A programação encerra-se com a “Batalha Responsa!”, disputa de rimas de improviso baseada nos temas ambientais e aberta à comunidade, reunindo 16 MCs da Região Metropolitana de Campinas.

Economia circular no Oziel, Monte Cristo e Gleba-B

Nos bairros Oziel, Monte Cristo e Gleba-B, a iniciativa OMG — Moda Sustentável estruturou um ateliê-escola de upcycling. O projeto reaproveita cerca de 200 peças de vestuário descartadas para capacitar 30 jovens em costura, customização e modelagem.

As oficinas buscam estimular a autonomia criativa, a conscientização sobre o descarte têxtil e a geração de renda local por meio da economia circular, culminando em uma mostra comunitária para apresentar as peças autorais produzidas pelos participantes.

Agroecologia e cultura no Parque Itajaí

Já no Parque Itajaí, o Coletivo NaViela realiza o projeto “Samba na Horta”, articulando cultura, comunicação popular, agroecologia e alimentação. A segunda edição do evento aconteceu neste sábado, 30/08, na Rua Pedro Miguel, 299. Cerca de 300 pessoas passaram pelo evento.

A iniciativa promoveu rodas de conversa temáticas com jovens do território em parceria com projetos locais como a Horta Comunitária do Itajaí, Cultura na Base e Vegano Periférico, abordando o direito à cidade, o cuidado comunitário e a soberania alimentar diante dos impactos ambientais na periferia. Entre as atrações musicais, estavam o Projeto Samba Shangai, Baile Charme com DJ Gordinho e Pagode da 40.

Resumo das ações nos bairros de Campinas:

  • Campo Belo (Assaltar as Nuvens): Servidor autônomo e mapeamento participativo de enchentes, resíduos e calor.
  • Campo Grande (Cursinho Popular Responsa!): Formação em racismo ambiental, trabalho sob extremos climáticos e Batalha de Rima temática.
  • Oziel, Monte Cristo e Gleba-B (OMG Moda Sustentável): Ateliê-escola de upcycling com reaproveitamento de 200 peças de roupa.
  • Parque Itajaí (Coletivo NaViela): Rodas de conversa e encontros culturais sobre agroecologia, alimentação e justiça climática.

Sobre o Em Movimento

O Em Movimento é uma organização fundada em 2013 que atua para fortalecer as juventudes como força transformadora da democracia brasileira. A organização parte de um desafio central: o ecossistema de iniciativas, políticas e atores voltados às juventudes ainda é fragmentado, com pouca conexão, circulação de informações e uso de evidências sobre suas realidades. Por isso, produz, traduz e dissemina dados e evidências, articulando juventudes, organizações, pesquisadores e tomadores de decisão para fortalecer respostas mais conectadas aos territórios e enfrentar desigualdades e vulnerabilidades juvenis. 

Sobre a Minha Campinas

Uma rede de pessoas que quer promover a participação das pessoas na política de Campinas. A organização acredita que a democracia se constrói na ação do dia a dia e, por isso, age para que mais pessoas – principalmente as mais vulneráveis participem das decisões que transformam nosso futuro. Desde 2015, desenvolve campanhas de mobilização, formações e ações de incidência política voltadas à defesa e promoção de direitos, especialmente junto a populações em situação de vulnerabilidade. Também atua no apoio a iniciativas comunitárias e no fortalecimento de processos de participação social e política no cotidiano da cidade.

Sobre a Rede Conhecimento Social – ReCoS

Fundada em 2016, a ReCoS concebe, planeja, conduz e implementar pesquisas, projetos e programas pautados por princípios de colaboração, cocriação e compartilhamento de conhecimento, fornecendo à sociedade evidências que possam auxiliar tomadores de decisão da sociedade civil e do setor público a construir melhores políticas sociais, com base em demandas reais, escuta social e participação efetiva.

Sobre a Fundação FEAC

A Fundação FEAC é uma organização independente, sediada em Campinas (SP), que atua na redução das desigualdades e na promoção do desenvolvimento social. Após seis décadas de atuação sólida na Região Metropolitana de Campinas (RMC), em 2025 realizou a sua transição definitiva de mantenedora para investidora social estratégica e articuladora sistêmica do ecossistema social, apoiando Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e fortalecendo os debates e ações para a implantação e melhorias de políticas públicas. Sua atuação é focada em três grandes pilares: Acesso a Direitos Sociais; Inclusão Produtiva; e Convivência Familiar e Comunitária Saudável. Gerida por um Conselho Curador e uma Diretoria Executiva, a instituição conta com uma equipe técnica especializada em suas áreas programáticas para orientar seus investimentos. Em 2025, mobilizou mais de R$ 34 milhões em recursos próprios para o desenvolvimento e apoio a projetos no município, sem o uso de verbas públicas. Saiba mais em: https://feac.org.br/

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