Durante décadas, o consumo de proteína animal no Brasil foi marcado pelo volume. Hoje, o movimento começa a mudar. Com a popularização de medicamentos para controle do peso e maior atenção à saúde, o brasileiro não deixou de consumir carne — passou a escolher com mais critério, menos impulso e maior planejamento.
Dados recentes da NielsenIQ indicam que o chamado efeito Ozempic não provoca uma retração generalizada no consumo de proteínas, mas uma reorganização: compras menores, maior diversidade de cortes e busca por opções que permitam preparo doméstico mais controlado. O impacto já é sentido no varejo alimentar, que começa a rever estratégias antes baseadas apenas em preço e quantidade.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o consumo per capita de carne de frango deve se manter entre 46 kg e 48 kg por habitante/ano em 2025, confirmando que a proteína segue como base da dieta nacional. O que muda é o comportamento em torno dela.
“Não estamos diante de um consumidor que abandonou a carne, mas de alguém que pensa mais antes de comprar”, afirma Nelson Ferreira, CEO e fundador da Frigo Express.
“O volume pode até ser menor por compra, mas a recorrência continua alta. O cliente quer variedade, quer aprender novos preparos e quer encaixar a proteína na rotina sem excessos.”
O fim do consumo automático
Relatórios recentes sobre comportamento alimentar mostram que o consumo por impulso vem perdendo espaço. De acordo com o levantamento ‘Efeito Ozempic no Consumo’, da NielsenIQ, cresce o interesse por produtos que ofereçam flexibilidade de preparo, controle de porções e aproveitamento ao longo da semana — uma mudança que favorece açougues e redes especializadas.
Na prática, isso exige um varejo mais atento. Cortes alternativos, sugestões de preparo e comunicação educativa passam a ser tão relevantes quanto o preço final. “A lógica do ‘leva mais porque está barato’ está dando lugar a uma escolha mais racional. Quando o consumidor entende como usar o produto, ele volta. E volta mais vezes”, observa Ferreira.
Ajustes de rota no varejo de proteínas
A Frigo Express reorganizou suas estratégias promocionais e de comunicação. A rede ampliou o número de proteínas em oferta simultânea e passou a destacar diferentes possibilidades de preparo, incentivando o consumidor a diversificar o cardápio e explorar novos cortes.
Além disso, a empresa incorporou essas mudanças ao planejamento de marketing para 2026, com foco em comunicação mais clara sobre alternativas de carnes, receitas para o dia a dia e treinamento das equipes de loja.
“Hoje, vender proteína é também orientar. O time precisa estar preparado para ajudar o cliente a decidir, não apenas a comprar. Isso aumenta a confiança, melhora a experiência e sustenta o giro”, diz o CEO.
Apesar das mudanças comportamentais, o mercado de proteínas permanece sólido. De acordo com projeções da ABPA, a produção nacional de carne de frango deve alcançar cerca de 15,5 milhões de toneladas em 2025, garantindo oferta ampla e estabilidade para o varejo.
Modelos que combinam operação enxuta, variedade de portfólio e leitura fina do consumidor tendem a ganhar vantagem competitiva.
“O consumo está mais consciente, mas a demanda continua lá. Quem entender essa transição não vai perder mercado, vai ganhar relevância.”, conclui Ferreira.
Com um consumidor mais atento à saúde e menos disposto ao excesso, o varejo de proteínas entra em uma nova fase. E, ao que tudo indica, escolher bem passou a valer mais do que comer muito.
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