A análise realizada pela Autoglass revelou os componentes automotivos mais desafiadores no Brasil para reposição, tendo como base um extenso banco de dados e um sistema de gestão de estoque. O estudo considerou fatores como demanda, composição da frota regional, fornecedores, além do modelo e ano do veículo para identificar quais peças têm tempos de espera prolongados e altos custos de importação.
Prazos de Espera de até 90 Dias para Alguns Veículos

Flávio Cezario, vice-presidente da Autoglass, comenta que a evolução da diversidade da frota nacional impõe a necessidade de uma gestão mais estratégica dos estoques. “Apenas acompanhar as peças de maior rotatividade já não é suficiente, dado que veículos menos comuns também precisam de manutenção”, afirma.
A pesquisa categoriza os desafios em três segmentos: modelos europeus luxuosos com baixa presença no Brasil, carros de montadoras chinesas que estão estabelecendo suas cadeias de reposição e automóveis que não são mais fabricados. Todos eles enfrentam problemas, uma vez que podem depender de processos de importação, de estoques remanescentes ou de fornecedores com limitações na oferta.
Entre as marcas importadas, o Ferrari SF90 Spyder, Lamborghini Huracan LP 580-2 e Maserati Levante GT se destacam pela complexidade na reposição de suas peças. Alguns componentes exigem pedidos internacionais e dependem de uma única concessionária autorizada no país, o que afeta o custo e o tempo de reparo.
No caso do Porsche Cayenne S Coupé e do Porsche 911 GT3, as peças podem demorar entre 60 a 90 dias para serem entregues no Brasil, segundo o levantamento. Esse tempo prolongado significa que os veículos ficam fora de uso durante boa parte do processo, exigindo que oficinas planejem com antecedência a desmontagem e a confirmação do serviço a ser realizado.
A Questão da Reposição para Veículos Importados e Antigos
Nos modelos de origem chinesa, a principal dificuldade está na identificação e disponibilidade de componentes. Peças como vidros para o MG4, Denza B5 e Geely EX5 figuram entre os itens destacados. As adaptações necessárias para o mercado brasileiro requerem validações antes da aquisição ou instalação.
A BYD Shark também foi incluída nessa análise. A baixa oferta de picapes no mercado chinês, devido a restrições de circulação em áreas urbanas, reduz a disponibilidade de componentes e impacta a cadeia de reposição no Brasil.
Para veículos fora de linha, o desafio se transforma em encontrar peças que deixaram de ser produzidas. Modelos como Fiat Punto (2008-2012), Fiat Doblo (2010-2021), Volkswagen Polo (2007-2015) e Golf (2008-2014) enfrentam dificuldades, especialmente em relação a componentes de iluminação.
Modelos como GM Kadett, Monza e Chevette também estão na lista. Nestes casos, o reparo pode depender de peças em estoque, remanufatura ou encomenda internacional. Com o intuito de minimizar os prazos de espera, a Autoglass utiliza um sistema que cruza dados para prever a demanda de itens com alta probabilidade de serem substituídos, incluindo vidros para veículos menos populares, com a intenção de aumentar a disponibilidade antes da solicitação do cliente.
Fonte: Alpha Autos
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