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ANOMALISA

Fico feliz ao notar que a qualidade das animações no Oscar de 2016 está maior que nos últimos tempos, principalmente porque a Academia saiu da mesmice do Globo de Ouro e não indicou ‘Snoopy & Charlie Brown’ ou ‘O Bom Dinossauro’, mas sim ‘O Garoto e o Mundo’ e este ‘Anomalisa’, novo projeto de Charlie Kaufman.

O estranhamento – algo um tanto comum nos filmes do diretor – aparece nas vozes das personagens femininas que são, em sua maioria, grossas e masculinizadas, ou seja, Michael Stone vê todos sem diferenciação, como se seu mundo fosse lotado de pessoas iguais – com o passar do tempo algo abre os olhos dele com uma força sem precedentes.

A construção dos ambientes e das personalidades pode ser vagarosa demais, porém, o uso das cores e do stop motion deixa tudo tão hipnotizante que fica difícil não se apaixonar por todas as descobertas feitas por este homem fragilizado por um passado que nem o espectador entende direito.

Michael Stone chega para a cidade de Connecticut, onde dará palestras motivacionais, mas antes, entra em contato com uma antiga paixão. A investida não dá certo e ele parte para conhecer outras garotas e se aproximando de Lisa, uma jovem insegura e tímida, que trará o lado mais puro de Stone vir a tona.

Com a adição de Lisa em sua vida e a personificação do amor de forma plena – pelo menos na primeira noite – tudo parece se encaixar para um final hollywoodiano demais e é aí que Kaufman nos joga um balde de água fria, provando que boa parte dos relacionamentos depende de amadurecimento, distanciamento do egocentrismo e partilha, já que a possessão pode distanciar aqueles que, um dia, juraram amor eterno.

PS.: fiquem atentos na maravilhosa cena de Lisa cantando “Girls Just Wanna Have Fun”.

Por Éder de Oliveira
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