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ALIANÇA DO CRIME

Johnny Depp, apesar de ser um dos grandes atores de sua geração, necessitava de um personagem que fugisse do padrão ‘gótico/esquisitão’ de filmes como ‘Piratas do Caribe’, ‘Edward – Mãos de Tesoura’, ‘O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet’, ‘A Fantástica Fábrica de Chocolates’ e tantos outros.

Em ‘Aliança do Crime’, ele não só mostra uma qualidade dramática intensa, como também leva o projeto nas costas. Debaixo de uma maquiagem pesada, uma voz mansa e uma risada perturbadora, constrói um gangster frio e violento, aliás, Scott Cooper, diretor da trama, não economiza no sangue e cria uma atmosfera tensa desde os primeiros minutos.

O jogo de gato e rato presentes aqui e as dúvidas do FBI em contar com um criminoso para prender outros criminosos é bem desenvolvida, mesmo que, em certa altura, pareça demorar mais que o necessário para engrenar. A recriação de época excelente, com sua fotografia, propositalmente, envelhecida, exacerba ainda mais o quão cinzenta era a vida de James ‘Whitney’ Burger.

Personagens como os de Kevin Bacon e de Benedict Cumberbatch – e seus métodos ‘nada ortodoxos’ –,poderiam somar e distribuir melhor a trama, mas têm pouco tempo frente as câmeras. Já Joel Edgerton parece uma gangorra, com momentos ótimos e outros bem ruins.

Whitney era um importante criminoso da década de 70 nos Estados Unidos e se juntou ao FBI como informante, para derrubar uma família de mafiosos italianos. Com a ajuda de seu irmão, que era senador, consegue crescer, mas com a traição da agência, se transforma no primeiro nome da lista de procurados.

Será por conta do diálogo na mesa de jantar que Depp conseguirá sua indicação para o Oscar 2016 – e aliás, é um diálogo de gelar a espinha – e mesmo passando longe da qualidade de obras como ‘O Poderoso Chefão’ ou ‘Os Intocáveis’, por exemplo, merece todas as críticas positivas que vem recebendo.

Por Éder de Oliveira
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