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Maconha: estudo aponta alterações em genes cruciais em camundongos

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Desde a sua legalização em muitos lugares, o canabidiol (CBD), um componente da Cannabis sativa, tem sido estudado extensivamente por seus potenciais benefícios terapêuticos. Recentemente, um estudo pioneiro realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) deu um passo significativo ao revelar como o CBD afeta molecularmente o cérebro, especificamente os neurônios do hipocampo.

Conduzido pelo biólogo João Paulo Machado, o estudo identificou mudanças na expressão de cerca de 3 mil genes em neurônios após a administração de CBD em camundongos. Publicado na renomada revista científica Acta Neuropsychiatrica, o trabalho não apenas preenche uma lacuna na pesquisa sobre os efeitos do CBD em cérebros saudáveis, mas também expande o entendimento sobre como essa molécula pode influenciar processos neurobiológicos complexos.

Iniciado em 2019 como parte do mestrado de Machado no Instituto de Biologia da Unicamp, o estudo teve como base a eficácia observada do CBD no tratamento de certos tipos de epilepsia. Com o apoio do professor André Vieira, que já explorava a análise transcriptômica, Machado utilizou tecnologias avançadas como o RNA-seq para sequenciar e analisar os genes ativos nos neurônios após a administração do CBD.

Os resultados foram surpreendentes. Em camundongos que receberam CBD por sete dias consecutivos, Machado observou uma modulação significativa na expressão de quase 3 mil genes. Essas mudanças se concentraram em famílias de genes ligadas a estruturas celulares vitais, como mitocôndrias e ribossomos, além de genes envolvidos na organização das sinapses neuronais.

Embora os achados não expliquem diretamente os efeitos terapêuticos do CBD contra a epilepsia, eles sugerem que o composto pode influenciar processos celulares que levam a uma economia de energia no sistema nervoso, potencialmente exercendo um efeito protetor.

Para André Vieira, coordenador do Laboratório de Eletrofisiologia, Neurobiologia e Comportamento (Lenc) da Unicamp, o estudo marca um avanço significativo na compreensão do CBD. “É o ponto de partida de uma nova linha de pesquisa em nosso grupo”, ressaltou Vieira, destacando a importância do estudo financiado pela Fapesp, CNPq e Capes.

Este estudo não só lança luz sobre os efeitos moleculares do CBD em nível genético, mas também abre novos caminhos para explorar seu potencial terapêutico em diversas condições neuropsiquiátricas. A pesquisa continua a evoluir, prometendo mais descobertas emocionantes sobre o papel do CBD no funcionamento cerebral.

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