História de Hortolândia: de Jacuba à emancipação

A História de Hortolândia começa antes da criação do município e passa por diferentes fases territoriais, sociais e políticas. O atual território hortolandense já pertenceu a Campinas até 1953 e a Sumaré até 1991, período em que a antiga Jacuba se transformou de bairro rural em distrito e, depois, em município emancipado.

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Segundo levantamentos historiográficos, uma das primeiras referências documentais ao território aparece em uma Carta de Sesmarias concedida a Ignacio Caetano Leme e outros, datada de 20 de abril de 1799. O documento menciona um “Ribeyrão do Engano”, que, em hipótese ainda a ser comprovada, poderia corresponder ao atual Ribeirão Jacuba, curso d’água que atravessa Hortolândia.

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A formação da localidade está ligada ao avanço dos caminhos, ao fluxo de tropeiros e viajantes e, posteriormente, à ferrovia. Ao longo do tempo, Jacuba deixou de ser uma área rural ligada à região de Campinas para se tornar uma localidade com identidade própria, marcada por loteamentos, crescimento populacional, demandas por serviços públicos e mobilização pela emancipação.

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História de Hortolândia começa com Jacuba

A partir de meados do século XIX, a região conhecida também como “Quilombo” já apresentava sinais de povoamento. Era uma área de passagem de tropeiros e viajantes, com assentamentos rurais como a Terra Preta, nome associado ao solo rico em carvão mineral.

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Foi nas várzeas e vales da Terra Preta que se formou o bairro rural de Jacuba. O crescimento inicial ganhou força especialmente após a abertura dos caminhos ferroviários, entre 1872 e 1875, a oeste de Campinas.

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O nome Jacuba tem origem em um prato tradicional brasileiro, consumido principalmente por tropeiros e roceiros. A receita era feita com farinha de mandioca ou de milho, água e algum adocicante, como mel, açúcar ou cachaça. A referência ajuda a explicar a relação da localidade com a vida rural e com as rotas de deslocamento da época.

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Ferrovia mudou a dinâmica de Jacuba

A criação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, em 1868, e a inauguração da primeira Estação Ferroviária de Campinas, em 1872, tiveram papel importante na formação de Jacuba como bairro rural.

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Em 26 de agosto de 1896, a Companhia Paulista inaugurou um Posto Telegráfico em Jacuba. Mais tarde, em 1º de abril de 1917, a localidade recebeu sua Estação Ferroviária, acompanhada de um armazém, demolido em 1986.

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A presença da ferrovia ampliou a circulação de pessoas, mercadorias e informações. Também contribuiu para que demandas locais relacionadas a saúde pública, educação, obras e viação passassem a aparecer com maior frequência nos registros administrativos e jornalísticos.

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Entre as décadas de 1910 e 1950, a população de Jacuba cresceu pouco. A mudança mais forte começou quando Campinas autorizou os primeiros loteamentos urbanos na localidade. A partir daí, Jacuba passou por uma transição gradual, deixando de ser um bairro rural caipira para se tornar uma área suburbana entre Campinas, Sumaré e Monte Mor.

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Como Jacuba virou Distrito de Hortolândia

Entre os primeiros loteamentos autorizados no antigo bairro rural estavam o Parque Ortolândia, de 1947, ligado ao empreendedor João Ortolan; o Remanso Campineiro, a partir de 1950; além de áreas como Vila Real e Vila São Francisco.

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Outro fator importante para o crescimento local foi a instalação do Educandário Adventista Campineiro, atual Instituto Adventista São Paulo, o IASP, em 1949.

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Na década de 1940, a população de Jacuba já reivindicava melhorias, como a instalação de energia elétrica. O serviço só seria conquistado depois da elevação do bairro à condição de distrito, por meio da Lei Municipal nº 81/1957, de Sumaré. Até então, a energia domiciliar e comercial era gerada por equipamentos a combustão.

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Em 1953, enquanto Sumaré avançava em seu processo de elevação à condição de município, moradores de Jacuba também se mobilizavam para transformar o bairro rural em distrito. Conforme registros citados no processo legislativo nº 2.235-53, a proposta inicial previa o nome “Ortolândia”, em referência ao loteamento Parque Ortolândia ou a João Ortolan.

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A Comissão Territorial e Judiciária da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo deliberou que o nome fosse escrito com “H”. Em 30 de dezembro de 1953, a Lei Estadual nº 2.456 criou o Distrito de Hortolândia dentro do recém-criado Município de Sumaré.

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Segundo o censo do IBGE de 1960, o Distrito de Hortolândia tinha 649 habitantes, distribuídos em 139 edifícios e domicílios recenseáveis, além de outros 159 edifícios.

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Transformação urbana e luta por emancipação

Da década de 1950 até o início dos anos 1990, Hortolândia se tornou destino de indústrias de médio e grande porte, atraídas por incentivos tributários e fiscais. A chegada de empresas ampliou o movimento populacional e econômico, mas também evidenciou problemas de infraestrutura e serviços públicos.

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O distrito recebia moradores em busca de trabalho em indústrias e empresas instaladas em Campinas e região. Ao mesmo tempo, as carências urbanas não acompanhavam a arrecadação gerada pelas atividades econômicas locais.

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Desde meados da década de 1970, a Associação dos Moradores de Hortolândia e lideranças políticas locais passaram a defender a emancipação como alternativa para enfrentar as demandas do distrito. Entre os nomes citados na mobilização estão os ex-vereadores Geraldo Costa Camargo e Nelson Alexandre.

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Com a Constituição Federal de 1988 e o contexto de redemocratização, o Movimento Pró-Emancipação ganhou força. Autorizado pela Resolução Estadual nº 714/1990, o Tribunal Regional Eleitoral realizou, em 19 de maio de 1991, um plebiscito para que a população decidisse sobre a emancipação político-administrativa.

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O resultado oficial registrou 97,4% de votos favoráveis, entre 19.592 eleitores que compareceram às urnas. Desde então, 19 de maio passou a ser a data em que Hortolândia relembra sua emancipação.

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Hortolândia se tornou município em 1991

A criação legal do município ocorreu por meio da Lei Estadual nº 7.664/1991, publicada em 30 de dezembro daquele ano e sancionada pelo então governador Luiz Antônio Fleury Filho. A lei elevou Hortolândia e outras 42 localidades à condição de municípios.

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Durante 1992, até a posse dos primeiros eleitos, Hortolândia continuou administrada pela Prefeitura de Sumaré. Nas eleições municipais de 3 de outubro de 1992, a cidade escolheu seus primeiros representantes.

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O primeiro prefeito eleito, Luiz Antonio Dias da Silva, tomou posse em 1º de janeiro de 1993. A partir desse momento, Hortolândia iniciou sua trajetória administrativa própria.

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O município começou sua história com cerca de cem mil habitantes, em sua maioria migrantes, e adotou o lema “Construindo uma Vida Melhor!”, presente no Brasão de Armas e na Bandeira Oficial, instituídos pelas Leis Municipais nº 10/1993 e nº 33/1993.

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De 1993 até 2024, Hortolândia teve 5 prefeitos e 13 presidentes da Câmara Municipal, eleitos democraticamente em 8 quadriênios. O período também registrou a presença de 9 vereadoras desde a primeira legislatura.

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Estação Jacuba preserva memória da cidade

A antiga Estação Jacuba, chamada depois de Estação Hortolândia a partir de 1958, é um dos principais símbolos da memória local. A estação foi administrada pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro até 1971, quando a empresa foi incorporada ao sistema Ferrovias Paulistas S.A., a FEPASA.

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Entre as décadas de 1970 e 1990, o embarque e desembarque de passageiros, bagagens, mercadorias e commodities funcionou de forma intermitente. A estação foi definitivamente desativada em 1996.

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Em 2010, a Secretaria do Patrimônio da União transferiu a administração da edificação e do entorno ao Município de Hortolândia por meio de termo de cessão gratuita e provisória, com finalidade sociocultural.

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Após reforma e restauro concluídos em 2014, o espaço passou a abrigar a Sede Museal do Centro de Memória de Hortolândia “Professor Leovigildo Duarte Junior”. A edificação é a única tombada pelo município como Patrimônio Cultural, por meio do Decreto Municipal nº 1.150/2003.

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Com a Lei Municipal nº 4.079/2022, foi institucionalizado o Museu Municipal de Hortolândia “Estação Jacuba”, reforçando o papel do local como espaço de memória coletiva, histórica e afetiva da cidade.

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FAQ – PERGUNTAS FREQUENTES

Quando Hortolândia foi emancipada?

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Qual era o antigo nome de Hortolândia?

Hortolândia já pertenceu a quais cidades?

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O que é a Estação Jacuba?

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