Pesquisas do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC, da sigla em inglês) apontam correlação entre o consumo excessivo degordura saturada e a perda neuronal, que interrompe as vias desinalização da saciedade. Os resultados foram apresentados no ciclo depalestras sobre obesidade infantil promovido pelo Centro, nestasegunda-feira (17), no salão nobre da Faculdade de Ciências Médicas(FCM) da Unicamp. O OCRC é um Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão(CEPID) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(FAPESP), sediado na Unicamp e desenvolve atividades desde 2013.
“A estrutura da gordura saturada é semelhante à parede de algunstipos de bactéria. O corpo reage, achando que está reagindo a umabactéria e gera uma inflamação. Essa inflamação destrói toda asinalização da saciedade”, explicou Bruna Bombassaro, pesquisadora doOCRC. Segundo ela, pesquisas recentes realizadas pelo grupo apontam quenos indivíduos obesos, mesmo tendo mais insulina e leptina que osindivíduos magros, esses sinalizadores de saciedade não funcionam. Ainterrupção da comunicação seria causada pela inflamação, gerada comoresposta imunológica ao alto consumo de gordura saturada.
De acordo com a pesquisadora, a gordura saturada é amplamente utilizadapela indústria de alimentos para conferir características comocrocancia, maciez ou palatabilidade aos alimentos. É também a gordurapresente em carnes, lácteos, ovos e manteiga. Em uma dieta saudável,esses alimentos trazem a quantidade de gordura que o corpo precisa. Osalimentos ultraprocessados, por sua vez, trazem uma quantidade degordura saturada muito maior do que o corpo está preparado paraadministrar. “Um hambúrguer de fast-food tem mais gordura saturada doque deveriamos comer no dia todo, em uma única refeição. Associada,ainda, a um monte de sal e açúcar. O problema é o excesso”, destacou.
Uma das pesquisas realizadas pelo grupo, relatada por Bruna Bombassaro, verificou morte neuronal pelo consumo exagerado de gordura saturada em camundongos. Submetidos a uma dieta hiperlipídica (com excesso de gordura saturada), por entre 8 e 16 semanas, os animais apresentaram morte dos neurônios responsáveis pela sensação de saciedade. “Os animais perdiam exatamente os neurônios que percebem que ele está alimentado e o levam a parar de comer”, afirmou Bruna Bombassaro.
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