FIDCs avançam com crise dos bancos médios

FIDCs avançam no mercado brasileiro de renda fixa em meio à redução dos prêmios oferecidos pelos CDBs de bancos pequenos e médios. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios passaram a ocupar mais espaço nas carteiras, mas especialistas alertam que a rentabilidade maior vem acompanhada de riscos que precisam ser avaliados com atenção.

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Os episódios recentes envolvendo bancos médios, a maior preocupação com a utilização do Fundo Garantidor de Créditos e a redução das taxas pagas pelos CDBs contribuíram para uma mudança no comportamento dos investidores.

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Antes, parte das decisões de investimento era baseada principalmente no percentual do CDI oferecido e na existência da cobertura do FGC. Com o novo cenário, investidores passaram a observar com mais cuidado a qualidade do crédito, as garantias, a governança e a estrutura que sustenta os rendimentos.

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Em maio de 2026, as maiores taxas de CDBs emitidos por bancos pequenos e médios ficaram próximas de 106,9% do CDI. O percentual ficou abaixo dos níveis de 115% ou 120% do CDI que eram utilizados anteriormente para atrair investidores.

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Os CDBs, porém, continuam sendo o investimento de renda fixa mais popular entre as pessoas físicas. Dados da B3 indicam que o estoque desses títulos chegou a R$ 2,8 trilhões em março de 2026, crescimento de 11% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

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FIDCs avançam na captação e no número de investidores

Os dados apresentados mostram uma expansão significativa dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios.

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Levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a Anbima, indicou que os FIDCs captaram R$ 41,7 bilhões entre janeiro e maio de 2026. O resultado representa crescimento de 36,5% em comparação com o mesmo período de 2025.

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Em número de operações, foram registradas 406 emissões de FIDCs no período, contra 237 operações de debêntures.

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Já nos primeiros seis meses de 2026, a captação líquida teria alcançado R$ 30 bilhões. O número de pessoas físicas investindo nesses fundos também cresceu quase 20%, atingindo aproximadamente 435 mil contas.

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A quantidade de fundos passou de 3.930 em dezembro para 4.147 ao final do primeiro semestre. O patrimônio total da indústria chegou a R$ 771,4 bilhões.

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Também foi informada a expectativa de que os FIDCs possam alcançar R$ 1 trilhão em patrimônio nos próximos meses, caso o ritmo de expansão seja mantido.

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Índice

O que é um FIDC

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O FIDC é um fundo que investe principalmente em direitos creditórios, também chamados de recebíveis.

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Esses recebíveis representam valores que empresas ou outras instituições têm direito de receber no futuro. Podem estar relacionados, por exemplo, a vendas parceladas, contratos, duplicatas, crédito consignado, mensalidades ou operações com cartões.

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Ao adquirir cotas de um FIDC, o investidor passa a participar de uma carteira formada por esses créditos. O retorno depende do pagamento realizado pelos devedores e da forma como o fundo foi estruturado.

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Os FIDCs também funcionam como alternativa de financiamento para empresas que precisam antecipar recursos sem recorrer exclusivamente ao crédito bancário.

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O crescimento desse mercado está relacionado tanto à busca das empresas por novas fontes de financiamento quanto à procura dos investidores por alternativas de renda fixa com maior potencial de retorno.

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Quanto um FIDC pode render

De acordo com as informações apresentadas, alguns FIDCs voltados ao varejo têm entregado retornos próximos de 110% do CDI.

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Outras estruturas podem oferecer remunerações entre CDI mais 2% e CDI mais 5% ao ano, dependendo do risco da operação, da qualidade dos recebíveis, das garantias e do nível de proteção oferecido pelas cotas subordinadas.

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O retorno mais alto, no entanto, não deve ser analisado isoladamente. A maior taxa pode representar maior risco de inadimplência, concentração dos créditos, menor liquidez ou uma estrutura com proteções insuficientes.

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Especialistas destacam que o melhor FIDC não é necessariamente o fundo que oferece o maior rendimento. É necessário entender de onde vem a rentabilidade e se ela é compatível com os riscos assumidos.

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FIDC não possui proteção do FGC

Uma das principais diferenças entre o FIDC e o CDB está na proteção oferecida ao investidor.

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Os CDBs podem contar com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, além das demais regras do fundo garantidor.

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Os FIDCs não possuem essa cobertura.

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Nesse tipo de investimento, a proteção depende da qualidade da própria estrutura. Entre os principais pontos que precisam ser analisados estão:

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• Qualidade e origem dos recebíveis;

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• Capacidade de pagamento dos devedores;

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• Histórico de inadimplência;

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• Pulverização da carteira;

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• Concentração em empresas ou devedores;

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• Existência de garantias;

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• Critérios para a aquisição dos créditos;

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• Nível de subordinação das cotas;

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• Transparência dos relatórios;

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• Experiência da gestora e dos demais participantes.

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A subordinação funciona como uma camada de proteção. Em algumas estruturas, as cotas subordinadas absorvem as primeiras perdas antes que elas atinjam as cotas consideradas mais protegidas, como as cotas seniores.

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Essa proteção, porém, não elimina o risco de prejuízo.

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Governança e qualidade dos recebíveis ganham importância

Com a expansão dos FIDCs, a qualidade da governança passou a ser um dos principais critérios de avaliação das operações.

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A estrutura de um fundo pode envolver originadores, gestores, administradores fiduciários, custodiantes e outros prestadores de serviços. O alinhamento entre esses participantes é importante para acompanhar a carteira, verificar os recebíveis e identificar problemas.

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Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o crescimento da indústria aumentou a responsabilidade de quem administra e estrutura essas operações.

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Ele destaca que um FIDC precisa combinar qualidade dos ativos, governança, controles eficientes e capacidade operacional para acompanhar toda a evolução da carteira.

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Além do volume financeiro, os investidores passaram a analisar como os créditos foram originados, como são monitorados e como ocorre a cobrança dos valores.

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A Resolução CVM 175 também contribuiu para a modernização da indústria ao estabelecer novas responsabilidades e ampliar a necessidade de transparência e acompanhamento das operações.

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Tecnologia ajuda no controle das carteiras

O avanço dos FIDCs também aumentou a utilização de tecnologia nos processos de administração e fiscalização.

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Automação de rotinas, integração entre sistemas, acompanhamento eletrônico das carteiras e digitalização dos documentos ajudam a reduzir falhas e melhorar o controle das operações.

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Esses recursos permitem acompanhar pagamentos, atrasos, substituições de recebíveis, concentração da carteira e alterações nos indicadores de risco.

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A tecnologia, no entanto, não substitui a análise da qualidade do crédito nem elimina a necessidade de uma governança eficiente.

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Crescimento também exige atenção à inadimplência

O aumento rápido do número de fundos e da procura por recebíveis pode provocar maior competição entre gestoras.

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Com mais instituições disputando os mesmos ativos, existe o risco de redução das taxas e flexibilização dos critérios utilizados para selecionar os créditos.

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Especialistas alertam para operações que compram créditos de prazo longo enquanto oferecem resgate em períodos curtos. Essa diferença entre o prazo dos ativos e o prazo dado ao investidor pode criar dificuldades de liquidez.

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Outro ponto de atenção é a queda prolongada das cotas subordinadas, que pode indicar aumento das perdas ou problemas na carteira.

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Embora a inadimplência esteja sendo considerada controlada em determinadas estruturas, o crescimento da indústria exige acompanhamento permanente, principalmente em fundos com recebíveis de empresas menores ou carteiras concentradas.

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FIDC não deve substituir a reserva de emergência

Apesar do potencial de rentabilidade, o FIDC não deve ser tratado automaticamente como substituto da reserva de emergência.

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A reserva precisa estar disponível para situações inesperadas e, por isso, normalmente exige liquidez, previsibilidade e baixo risco.

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Os FIDCs podem ter prazos de resgate maiores, períodos de carência e riscos relacionados à inadimplência dos devedores. Também podem apresentar dificuldades para pagar resgates quando os recebíveis possuem vencimentos mais longos.

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Por esse motivo, o investidor deve avaliar o prazo do fundo e verificar se o dinheiro poderá permanecer aplicado durante o período necessário.

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Como avaliar um FIDC antes de investir

Antes de aplicar, o investidor deve compreender qual tipo de recebível está dentro do fundo e quem são os responsáveis pelo pagamento.

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Também é importante consultar os documentos da operação, os relatórios da carteira, o histórico da gestora e a atuação do administrador fiduciário.

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A análise deve considerar se os recebíveis estão concentrados em poucos devedores, se existem garantias e qual é a proteção oferecida pelas cotas subordinadas.

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Outro cuidado é comparar o prazo dos créditos com o prazo de resgate oferecido pelo fundo. Operações muito longas dentro de fundos com liquidez elevada podem aumentar os riscos em momentos de muitos pedidos de retirada.

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Os FIDCs ampliam as possibilidades de diversificação na renda fixa e podem oferecer retornos superiores aos CDBs. Entretanto, o crescimento do setor não elimina os riscos de crédito, inadimplência e liquidez.

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A expansão da indústria mostra que o produto está se tornando mais conhecido e acessível. Para o investidor, a principal orientação é não analisar apenas a taxa prometida. A qualidade dos recebíveis, a governança, a transparência e a capacidade de acompanhamento da carteira são os fatores que sustentam a segurança da operação.

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FAQ - PERGUNTAS FREQUENTES

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O que é um FIDC?

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FIDC é um fundo que investe em direitos creditórios, ou seja, valores que empresas ou instituições têm direito de receber no futuro, como parcelas, duplicatas, mensalidades e empréstimos.

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FIDC tem garantia do FGC?

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Não. Os FIDCs não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos. A segurança depende da qualidade dos recebíveis, das garantias, da subordinação, da governança e da administração do fundo.

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FIDC é melhor do que CDB?

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Não existe uma resposta única. O CDB pode oferecer cobertura do FGC e maior simplicidade, enquanto o FIDC pode buscar retornos mais elevados, mas apresenta riscos de crédito, liquidez e estrutura que precisam ser avaliados.

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Evento do final de semana:

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Projeto Férias Hortolândia leva música, brincadeiras e diversão gratuita para crianças, evento da Prefeitura acontece no dia 17 de julho, na Escola de Artes Augusto Boal, com atrações culturais e esquenta para o Festival Internacional de As férias escolares ganham uma programação especial em Hortolândia. A Prefeitura realiza na sexta-feira (17 de julho) o Projeto Férias, evento gratuito voltado ao público infantil, com diversas atividades culturais para garantir um dia de muita diversão. A programação acontece das 9h às 16h, na Escola de Artes Augusto Boal, no Jardim Amanda.

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Por Carlos Teixeira

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