Energia no Brasil sobra e falta ao mesmo tempo

Energia no Brasil vive atualmente uma situação considerada inédita pelo setor elétrico. Ao mesmo tempo em que o país registra excesso de geração durante parte do dia, especialmente por conta da expansão da energia solar, também enfrenta riscos de falta de capacidade em determinados horários, exigindo ações emergenciais do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

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De acordo com informações divulgadas pelo Brazil Journal, o cenário ficou evidente no domingo (7), durante a continuação do feriado de Corpus Christi. Com a demanda reduzida e a produção elevada de energia, principalmente proveniente de sistemas solares instalados em telhados e pequenas usinas, o ONS precisou colocar em prática um plano emergencial para evitar problemas de estabilidade na rede elétrica.

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Embora pareça contraditório, o excesso de energia também pode provocar apagões. O sistema elétrico brasileiro precisa manter equilíbrio constante entre oferta e consumo. Quando há geração acima da demanda, a operação se torna mais complexa e aumenta o risco de instabilidades.

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Índice

Energia no Brasil e o crescimento da geração solar

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Nos últimos anos, a geração distribuída cresceu rapidamente no país. Painéis solares instalados em residências, empresas e pequenas propriedades rurais passaram a representar uma parcela significativa da matriz elétrica nacional.

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Segundo o levantamento citado na reportagem, a capacidade instalada de sistemas solares em telhados e miniusinas já ultrapassa 48 gigawatts, tornando a fonte solar a segunda maior do Brasil, atrás apenas das hidrelétricas.

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Esse avanço trouxe benefícios importantes, como redução de custos para consumidores e maior participação de fontes renováveis. Porém, também criou novos desafios para a operação do sistema elétrico nacional.

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ONS determinou cortes temporários de geração

Para preservar a estabilidade da rede, o ONS acionou distribuidoras de energia para limitar temporariamente a produção de pequenas usinas.

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Ao todo, os cortes somaram cerca de 1.000 megawatts e ocorreram entre 10h e 14h, justamente no período de maior geração solar. Distribuidoras ligadas aos grupos CPFL, Cemig, Copel, Neoenergia, Celesc e Equatorial participaram da operação.

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A medida já era aplicada em grandes parques eólicos e solares desde 2023, prática conhecida no setor como curtailment. Entretanto, foi a primeira vez que a restrição atingiu pequenas usinas que normalmente não estão sob controle direto do operador nacional.

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Falta de critérios gera preocupação

A nova regulamentação, aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), abriu discussões dentro do mercado.

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Empresas de geração argumentam que os cortes representam perdas financeiras imediatas. Além disso, especialistas apontam preocupação com a ausência de critérios detalhados para definir quais usinas devem ter a produção reduzida.

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Outro ponto levantado envolve a possibilidade de conflitos de interesse, já que alguns grupos econômicos atuam simultaneamente como distribuidoras e geradoras de energia. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) também defendeu regras mais claras para evitar insegurança jurídica.

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Por que também existe risco de falta de energia?

Enquanto durante o dia há sobra de geração, o início da noite apresenta um cenário completamente diferente.

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Quando a população retorna para casa e aumenta o consumo de eletricidade, a geração solar diminui rapidamente devido ao pôr do sol. Esse fenômeno cria um desafio operacional para o sistema, que precisa atender um pico de demanda justamente quando uma das principais fontes de energia deixa de produzir.

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Para enfrentar esse problema, o governo realizou em março um leilão que contratou capacidade adicional de termelétricas. Também está previsto para dezembro um leilão voltado à contratação de projetos de armazenamento em baterias, tecnologia que permitirá guardar energia produzida durante o dia para utilização nos horários de maior consumo.

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O futuro do sistema elétrico brasileiro

O avanço das fontes renováveis deve continuar nos próximos anos, tornando ainda mais importante a modernização da infraestrutura elétrica nacional.

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Especialistas do setor defendem investimentos em armazenamento de energia, ampliação das redes de transmissão e aperfeiçoamento das regras de operação para acompanhar a nova realidade da matriz energética brasileira.

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Enquanto essas soluções não chegam em larga escala, o ONS seguirá enfrentando o desafio de equilibrar um sistema que, paradoxalmente, pode sofrer tanto pela falta quanto pelo excesso de energia disponível.

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FAQ - PERGUNTAS FREQUENTES

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Por que pode faltar energia mesmo com excesso de geração?

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Porque o sistema elétrico precisa manter equilíbrio entre oferta e demanda em tempo real. Excesso de geração também pode causar instabilidades na rede.

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O que é curtailment no setor elétrico?

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É a redução temporária da geração de energia determinada pelo operador do sistema para preservar a segurança e a estabilidade da rede.

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Por que a energia solar aumenta esse desafio?

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A geração solar produz mais durante o dia, mas cai rapidamente ao anoitecer, justamente quando o consumo costuma aumentar, exigindo fontes alternativas para atender à demanda.

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