Correios adiam fechamento de agências após pressão sindical

Correios decidiram adiar até o dia 31 de julho a implementação de parte das medidas previstas no plano de reestruturação da empresa após pressão das entidades sindicais. A decisão suspende temporariamente ações como o fechamento de agências, mudanças em centros de distribuição e alterações em gratificações pagas aos atendentes enquanto representantes dos trabalhadores participam de uma mesa de negociação com a direção da estatal.

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A medida foi oficializada por meio de uma carta assinada pelo presidente dos Correios, Emanoel Rondon, e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações, encaminhada à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect).

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De acordo com a Fentect, também foram suspensas temporariamente mudanças relacionadas à reorganização da distribuição, ampliação do fim do pagamento do chamado quebra de caixa, alterações no Adicional de Atividade de Guichê (AAG) e processos de encerramento de unidades operacionais que estavam em andamento.

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Índic)

Correios mantêm plano de reestruturação

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Apesar da suspensão temporária de algumas medidas, os Correios informaram que o Plano de Reestruturação 2026-2027 continua em vigor.

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Segundo a estatal, a paralisação das mudanças tem o objetivo de permitir que sindicatos apresentem sugestões, apontem possíveis problemas e contribuam com discussões técnicas antes da retomada das ações previstas.

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Em nota, a empresa afirmou que permanece comprometida com a modernização da estrutura, o fortalecimento da sustentabilidade econômico-financeira, a valorização dos empregados e a melhoria dos serviços prestados à população.

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Entre as medidas que continuam normalmente estão a venda de imóveis e outras iniciativas voltadas à redução de despesas administrativas.

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Crise financeira impulsiona mudanças

A reestruturação ocorre em meio à pior crise financeira da história recente dos Correios.

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A estatal encerrou 2025 com um prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o déficit acumulado já chegou a R$ 3,1 bilhões.

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Para tentar reverter esse cenário, a empresa estruturou um plano baseado em três pilares:

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  • Redução de despesas com pessoal e administração;
  • Otimização de ativos;
  • Renegociação e captação de recursos.
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A proposta inclui reorganização operacional, revisão de funções gratificadas e mudanças logísticas em diversas unidades do país.

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Greve é suspensa, mas mobilização continua

A suspensão das medidas levou as entidades sindicais a cancelarem a greve nacional que estava prevista para ocorrer nesta semana.

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Mesmo assim, os trabalhadores decidiram manter o estado de greve, mecanismo que permite uma paralisação caso os acordos firmados durante as negociações não sejam cumpridos.

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Na Paraíba, o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Sintect-PB) realizou uma assembleia na terça-feira (7), na qual aprovou por unanimidade a suspensão da greve e deu continuidade à Campanha Salarial 2026/2027.

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Durante o encontro, também foram aprovadas a pauta nacional de reivindicações, o calendário de negociações e os representantes do estado que participarão das mesas nacionais de negociação.

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Segundo o secretário-geral do Sintect-PB, Tony Sérgio, a suspensão da greve não representa o fim da mobilização.

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De acordo com o dirigente sindical, a categoria continuará acompanhando as negociações e promovendo ações para defender empregos, direitos dos trabalhadores e a manutenção dos Correios como empresa pública.

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Sindicatos criticam fechamento de agências

As entidades sindicais seguem criticando diversos pontos do plano de reestruturação.

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Entre as principais reclamações estão:

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  • fechamento de agências;
  • encerramento de centros de distribuição;
  • redução dos distritos de entrega;
  • retirada de funções gratificadas;
  • transferências compulsórias de trabalhadores.
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Segundo os sindicatos, essas medidas aumentam a carga de trabalho dos carteiros e atendentes, podendo provocar atrasos nas entregas e redução da qualidade dos serviços oferecidos à população.

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Os representantes da categoria também defendem investimentos na empresa pública e afirmam que os Correios exercem um papel estratégico ao atender praticamente todos os municípios brasileiros, incluindo localidades onde empresas privadas não possuem operação permanente.

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Além da distribuição de correspondências e encomendas, a empresa participa de serviços considerados essenciais, como logística eleitoral, entrega de medicamentos, vacinas, livros didáticos e fiscalização de mercadorias.

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Negociações seguem até o fim do mês

A previsão é que a comissão formada por representantes da direção dos Correios, da Fentect e do Governo Federal realize reuniões até o dia 31 de julho.

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Durante esse período, os sindicatos poderão apresentar propostas, questionamentos e casos específicos relacionados às mudanças previstas no plano de reestruturação.

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Ao término das negociações, a estatal deverá decidir se retoma integralmente as medidas inicialmente previstas, promove alterações no projeto ou amplia o período de discussão.

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O andamento dessas conversas também ocorrerá paralelamente à Campanha Salarial 2026/2027, que mantém entre as principais reivindicações o reajuste salarial, melhores condições de trabalho, realização de concurso público e revisão das medidas de reestruturação.

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FAQ - PERGUNTAS FREQUENTES

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Os Correios vão fechar agências em 2026?As medidas de fechamento de agências foram suspensas temporariamente até 31 de julho de 2026 enquanto ocorre uma negociação entre a empresa, sindicatos e o Governo Federal.

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A greve dos Correios foi cancelada?A greve nacional prevista foi suspensa, mas os trabalhadores mantêm o estado de greve e continuam mobilizados durante as negociações.

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Por que os Correios estão passando por uma reestruturação?Segundo a empresa, o objetivo é reduzir despesas e recuperar o equilíbrio financeiro após prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025 e déficit de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

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Por Carlos Teixeira

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