Três novos casos de infecção pelo vírus Nipah foram registrados nas últimas semanas na Ásia. Dois ocorreram na Índia, envolvendo profissionais de saúde que precisaram ser hospitalizados. O terceiro foi confirmado em Bangladesh, onde uma mulher morreu após a evolução da doença.
Apesar de raros, os episódios reacendem a atenção para um patógeno conhecido pela alta gravidade e letalidade. O vírus tem afinidade pelo sistema nervoso central e pode causar encefalite, levando a sintomas como prostração intensa, perda de consciência, convulsões e, em muitos casos, morte. Estimativas indicam que a taxa de letalidade varia entre 40% e 70%.
Embora grave, o Nipah não apresenta alta transmissibilidade. A infecção costuma ocorrer após contato com secreções de morcegos frugívoros, que podem eliminar o vírus por meio da saliva, urina ou fezes. O contágio é mais comum quando pessoas consomem alimentos contaminados, como a seiva da tâmara — hábito tradicional em algumas regiões da Índia e de Bangladesh.
A transmissão entre humanos é considerada rara e exige contato próximo com fluidos corporais de alguém infectado. Mesmo nesses casos, a progressão da doença costuma limitar a capacidade de espalhamento para grandes grupos.
Segundo o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, todos os contatos dos casos recentes foram monitorados. “Os exames realizados apontaram resultado negativo, o que indica ausência de transmissão secundária”, afirma.
No Brasil, não há registro de circulação do vírus Nipah. Além disso, os morcegos frugívoros que funcionam como reservatórios naturais do patógeno não existem nas Américas, o que reduz ainda mais o risco de introdução do vírus no país.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou os casos recentes e informou que, embora a vigilância na Ásia deva continuar, o risco de uma pandemia causada pelo Nipah é baixo.
Weissmann reforça que não há qualquer alerta da OMS sobre disseminação global ou risco específico relacionado a eventos como o Carnaval. “Essa informação que circula nas redes sociais é infundada. Hoje, não existe evidência de risco de surto de Nipah no Brasil”, esclarece.
O cenário não elimina a necessidade de cuidados gerais com a saúde. Em períodos de festas e grandes aglomerações, aumentam os riscos de doenças respiratórias e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
A recomendação dos especialistas é aproveitar o Carnaval com responsabilidade, mantendo hábitos de proteção e atenção aos sinais do corpo.
O vírus Nipah pode causar pandemia?Segundo a OMS, o risco é baixo devido à baixa transmissibilidade.
Há casos de Nipah no Brasil?Não. Não há registro de circulação do vírus no país.
Como ocorre a transmissão?Principalmente por alimentos contaminados por morcegos frugívoros.
Existe transmissão fácil entre humanos?Não. Ela é rara e exige contato próximo com fluidos corporais.
A OMS emitiu alerta global recente?Não. Não há alerta sobre disseminação mundial ou risco após o Carnaval.
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