Inverno demográfico: a China vive um fenômeno que economistas e demógrafos já classificam como “inverno demográfico”. Pelo quarto ano consecutivo, a população chinesa diminuiu, registrando apenas 7,92 milhões de nascimentos em 2025, uma queda de 17% em relação a 2024 e o menor número desde 1949, ano da fundação da República Popular.
Os dados revelam um desequilíbrio preocupante: para cada mil habitantes, apenas cinco bebês nasceram, enquanto oito pessoas morreram. O resultado prático foi um saldo populacional negativo de 3,4 milhões de pessoas em apenas 12 meses — um volume equivalente a quase duas cidades do porte de Curitiba desaparecendo do mapa em um único ano.
Medidas governamentais não frearam a queda
Nos últimos anos, o governo chinês lançou uma série de políticas para estimular a natalidade, incluindo subsídios diretos, incentivos fiscais e até medidas controversas, como taxação sobre preservativos. Ainda assim, os resultados foram limitados.
O problema é estrutural. Criar um filho na China custa, em média, 6,3 vezes a renda anual do cidadão, um valor significativamente superior ao observado em economias desenvolvidas como os Estados Unidos (4,1 vezes) e o Japão (4,3 vezes). Moradia cara, educação competitiva, longas jornadas de trabalho e mudanças culturais reduziram drasticamente o interesse das novas gerações em ter filhos.
Envelhecimento acelerado pressiona economia chinesa
Com menos jovens entrando no mercado de trabalho e uma população cada vez mais idosa, a pressão sobre o sistema econômico e previdenciário aumenta. As projeções indicam que a China poderá ter cerca de 400 milhões de idosos até 2035, um desafio sem precedentes para políticas públicas, produtividade e crescimento econômico.
O temor central das autoridades em Pequim é “envelhecer antes de enriquecer”, ou seja, enfrentar um perfil demográfico típico de países ricos sem ter alcançado plenamente esse nível de renda per capita.
Projeções da ONU ampliam o sinal de alerta – Inverno demográfico
O cenário futuro também não é animador. De acordo com projeções da Organização das Nações Unidas, o número de mulheres em idade reprodutiva na China, faixa entre 15 e 49 anos, deve cair cerca de dois terços até o final do século, ficando abaixo de 100 milhões.
Essa redução compromete a capacidade de recuperação demográfica mesmo que políticas mais eficazes sejam implementadas no curto prazo.
Brasil também caminha para desaceleração populacional
Embora em estágio menos avançado, o Brasil já apresenta sinais semelhantes, especialmente em regiões do Sul e Sudeste. Segundo estimativas do IBGE, a população brasileira deve atingir um ponto de estabilidade por volta de 2042 e, a partir daí, começar a diminuir.
O movimento reforça uma tendência global: menos nascimentos, população mais velha e desafios crescentes para o crescimento econômico, exigindo revisões profundas em políticas de trabalho, previdência, imigração e produtividade.
Perguntas e respostas rápidas
Por que a população da China está diminuindo?
Queda acentuada na natalidade, alto custo para criar filhos e envelhecimento acelerado.
Quantos nascimentos a China teve em 2025?
Apenas 7,92 milhões, o menor número desde 1949.
O governo chinês tentou reverter a situação?
Sim, com subsídios e incentivos, mas sem sucesso significativo.
Quantos idosos a China pode ter até 2035?
Cerca de 400 milhões, segundo projeções demográficas.
O Brasil enfrenta risco parecido?
Sim. O IBGE estima que a população brasileira pare de crescer em 2042.
