A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP-Águas) informaram, nesta quarta-feira (31), que o Sistema Cantareira continuará operando na Faixa 4 – Restrição a partir desta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026. O sistema encerrou o último dia de 2025 com 20,18% do volume útil, índice inferior aos 20,99% registrados em 30 de novembro, mantendo o estado de alerta para o abastecimento hídrico.
A Faixa 4 é aplicada quando o volume útil do Cantareira está entre 20% e 30%. Caso o nível caia abaixo de 20%, o sistema passaria para a Faixa 5 – Especial, que impõe restrições ainda mais severas à retirada de água, elevando o risco de impactos diretos no fornecimento para a população.
Em comunicado oficial, a ANA e a SP-Águas reforçaram a necessidade de controle da demanda por parte da Sabesp e de economia de água pela população, a fim de evitar que o sistema atinja o chamado volume morto ou a faixa de emergência. Segundo as agências, a adoção de medidas operacionais e o uso consciente da água são fundamentais para preservar os reservatórios.
Mesmo com a manutenção da Faixa 4, a Sabesp poderá continuar retirando até 23 metros cúbicos por segundo (m³/s) do Sistema Cantareira em janeiro de 2026, conforme previsto na Resolução Conjunta nº 925/2017. Para complementar o abastecimento da capital e da Região Metropolitana de São Paulo, a companhia também poderá utilizar água da bacia do Rio Paraíba do Sul, por meio da represa da Usina Hidrelétrica Jaguari, em São José dos Campos, funcionando como um reforço ao Cantareira.
O cenário preocupa porque, mesmo durante o chamado período úmido, que vai de outubro de 2025 a maio de 2026, o sistema não apresentou recuperação em dezembro. Ao contrário, houve redução do volume armazenado, mantendo o alerta para o consumo responsável dos recursos hídricos.
O Sistema Cantareira é responsável pelo abastecimento de cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo e também atende cidades da região de Campinas, nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Ele é formado por cinco reservatórios interligados — Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro — com volume útil total de 981,56 bilhões de litros.
Desde 2018, o sistema conta ainda com a interligação entre as represas Jaguari e Atibainha, ampliando a segurança hídrica da Grande São Paulo. Por envolver rios de domínio federal e estadual, a ANA e a SP-Águas realizam o monitoramento diário dos níveis, vazões e volumes armazenados, avaliando continuamente as regras de operação para garantir a gestão adequada da água.
