Dólar sobe para R$ 5,16 após conflito no Oriente Médio

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Dólar sobe para R$ 5,16 no primeiro dia útil após o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, em um cenário de forte tensão internacional que também impactou o petróleo e a bolsa brasileira.

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (2) vendido a R$ 5,166, com alta de R$ 0,032, o que representa avanço de 0,62%. Durante a manhã, a moeda chegou a ser negociada a R$ 5,21 por volta das 11h, mas perdeu força ao longo da tarde, acompanhando a leve recuperação das bolsas nos Estados Unidos.

Mesmo com a instabilidade no exterior, o mercado acionário brasileiro conseguiu fechar em alta. O índice Ibovespa, da B3, encerrou o dia aos 189.307 pontos, com avanço de 0,28%.

Dólar sobe para R$ 5,16 e petróleo dispara

A valorização do dólar ocorreu em paralelo à disparada dos preços internacionais do petróleo. No início da sessão, o barril chegou a subir quase 10%. Ao final do dia, o Brent, referência global, avançou 6,68% e fechou a US$ 77,74, maior nível desde janeiro de 2025.

Pouco depois das 12h, o contrato futuro do Brent era negociado perto de US$ 79 o barril, alta de cerca de 7,6%. Já o WTI, negociado em Nova York, superava US$ 71, com salto de aproximadamente 6%.

De acordo com analistas, a alta reflete a preocupação com a situação no Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica ao sul do Irã que liga os golfos Pérsico e de Omã. Cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás passa pela região.

Após o fechamento do mercado, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou o fechamento do estreito e ameaçou atirar contra qualquer navio que tente cruzar a área.

O economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, explicou que o Estreito de Ormuz é a principal rota global para o transporte de petróleo de grandes produtores como Irã, Arábia Saudita e Iraque.

Segundo ele, com o estreito fechado, a oferta diminui de forma significativa, o que pressiona os preços quase imediatamente. Sartori afirmou ainda que, enquanto o conflito continuar e a passagem permanecer bloqueada, os preços tendem a seguir elevados.

Petrobras impulsiona bolsa brasileira

Apesar do cenário internacional adverso, o Ibovespa conseguiu fechar em alta, sustentado principalmente pelas ações da Petrobras.

As ações ordinárias da estatal subiram 4,63% e atingiram R$ 44,71. Já os papéis preferenciais avançaram 4,58%, encerrando o dia a R$ 41,13. As preferenciais, que são as mais negociadas, atingiram o maior nível desde maio de 2024.

Pouco antes das 13h, os papéis da Petrobras eram negociados a R$ 44,39, com alta de 3,90%.

A valorização acompanha a alta do petróleo, já que o aumento do preço internacional da commodity tende a elevar as receitas da companhia.

Impacto na inflação e nos juros

A escalada do conflito pode ter reflexos na economia brasileira. Rodolpho Sartori alertou que, caso a guerra se prolongue, a alta do petróleo pode exigir repasse de preços ao consumidor, gerando novo impulso na inflação.

Já Otávio Oliveira, gerente da tesouraria do Banco Daycoval, destacou que o impacto pode alcançar também a política monetária.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central já indicou a intenção de reduzir a taxa Selic na reunião de março. Atualmente, a taxa básica está em 15% ao ano.

Segundo Oliveira, existe a possibilidade de o corte ser menor que o esperado. Em vez de redução de 0,50 ponto percentual, o ajuste poderia ficar em 0,25 ponto, caso o cenário internacional pressione a inflação.

Por que o dólar sobe em momentos de conflito?

De acordo com Otávio Oliveira, em momentos de tensão geopolítica ocorre o chamado movimento de fuga do risco. Investidores retiram recursos de países emergentes, considerados mais arriscados, e direcionam para ativos considerados mais seguros. Isso movimenta Dólar.

Isso gera venda de moedas como o real e aumento da demanda por dólar, que tende a se fortalecer globalmente.

Oliveira explicou que outras moedas tradicionalmente usadas em períodos de instabilidade, como o iene japonês, também costumam se valorizar.

Já Rodolpho Sartori avalia que o cenário atual é mais complexo. Ele considera que, embora seja natural um repique inicial da moeda americana, o comportamento do dólar pode não ser tão abrupto como em crises anteriores.

Sartori estima que a moeda norte-americana deve oscilar na faixa de R$ 5,20 a R$ 5,25 nos próximos dias, caso o conflito se mantenha.

O que observar nos próximos dias

O mercado financeiro deve continuar atento a três fatores principais:

• Situação no Estreito de Ormuz
• Evolução dos ataques e eventuais negociações diplomáticas
• Reação das bolsas e do petróleo no exterior

Mesmo sendo exportador de petróleo, o Brasil pode ser afetado, já que importa derivados do óleo bruto. Caso os preços internacionais permaneçam elevados, há risco de encarecimento de combustíveis e pressão adicional sobre a inflação.

A volatilidade deve marcar os próximos pregões, especialmente se houver novas medidas militares ou sanções que afetem o fluxo global de energia.


FAQ

Por que o dólar subiu para R$ 5,16?
O dólar subiu devido à escalada do conflito no Oriente Médio, que levou investidores a buscar ativos considerados mais seguros, como a moeda americana.

O fechamento do Estreito de Ormuz afeta o Brasil?
Sim. Cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região. Se o fluxo for interrompido, os preços podem subir e impactar combustíveis e inflação no Brasil.

A Selic pode cair menos por causa do conflito?
Segundo analistas, há possibilidade de o Banco Central reduzir o ritmo de corte de juros caso a alta do petróleo pressione a inflação.

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