A semaglutida sintética, caneta similar ao Ozempic, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização no Brasil. O medicamento chamado Ozivy é a primeira caneta sintética análoga ao Ozempic liberada no país para tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2. A informação foi divulgada pela Anvisa nesta terça-feira (26).
O produto utiliza o mesmo princípio ativo do Ozempic, medicamento conhecido popularmente como “caneta emagrecedora”, cuja patente expirou em março deste ano. Segundo a Anvisa, o Ozivy passou pelo processo técnico de comprovação de eficácia, segurança e qualidade antes da aprovação do registro.
O que é a semaglutida sintética aprovada pela Anvisa
De acordo com a agência reguladora, o Ozivy é um medicamento desenvolvido por síntese química e não por processo biológico, como ocorre com os produtos tradicionais de semaglutida registrados até então no Brasil.
A Anvisa informou que este é um dos primeiros registros desse tipo no mundo, já que os análogos sintéticos de semaglutida representam um desafio técnico para as agências reguladoras internacionais.
Segundo o órgão, medicamentos biológicos utilizam insumos farmacêuticos ativos produzidos por processos biotecnológicos ou materiais biológicos. Já os análogos sintéticos são produzidos por síntese química, permitindo moléculas menores e mais estáveis.
Para que serve o Ozivy
A indicação aprovada pela Anvisa prevê o uso do Ozivy no tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado. O medicamento poderá ser utilizado:
- em monoterapia, quando a metformina não puder ser utilizada por contraindicação ou intolerância;
- em associação com outros medicamentos para tratamento do diabetes.
O medicamento será comercializado em formato de solução injetável para aplicação semanal por meio de canetas preenchidas.
Diferença entre Ozivy e Ozempic
Uma das diferenças destacadas pela Anvisa está na forma de conservação do produto.
O Ozivy deverá permanecer refrigerado entre 2°C e 8°C antes e depois do início do uso. Já o Ozempic pode permanecer em temperatura ambiente de até 30°C por até seis semanas após o início da utilização.
Outra diferença importante é que o Ozivy não é considerado um medicamento genérico.
Segundo a Anvisa, não existe regulamentação para genéricos de medicamentos biológicos no Brasil. Por isso, o produto foi registrado como “medicamento novo”, apesar de utilizar princípio ativo semelhante ao medicamento de referência.
Como será a venda da semaglutida sintética
A empresa responsável pelo pedido de registro é o laboratório EMS/S.A. Conforme informado pela Anvisa, o medicamento ainda depende da aprovação do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes de chegar às farmácias.
A decisão sobre a data de comercialização será da fabricante.
A Anvisa também informou que a semaglutida sintética exigirá prescrição médica em duas vias, seguindo as regras aplicadas aos medicamentos da classe GLP-1.
Medicamento poderá ser oferecido no SUS?
Para que o Ozivy seja disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), será necessária avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), além de aprovação do Ministério da Saúde.
Segundo a Anvisa, nem todos os medicamentos registrados passam por incorporação no SUS.
Apresentações aprovadas pela Anvisa
A agência aprovou quatro apresentações do medicamento:
- Caneta preenchida multidose de 1,5 ml com 6 agulhas
- Caneta preenchida multidose de 3 ml com 10 agulhas
- Caneta preenchida multidose de 1,5 ml com 4 agulhas
- Caneta preenchida multidose de 3 ml com 8 agulhas
Todas as versões possuem solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL.
FAQ – PERGUNTAS FREQUENTES
O Ozivy é igual ao Ozempic?
Não. O Ozivy utiliza princípio ativo semelhante ao Ozempic, mas foi desenvolvido por síntese química e possui diferenças de armazenamento e classificação regulatória.
A semaglutida sintética já pode ser comprada?
Ainda não. O medicamento depende da definição do preço máximo pela CMED antes da comercialização.
O Ozivy é um medicamento genérico?
Não. Segundo a Anvisa, não há regulamentação de genéricos para medicamentos biológicos no Brasil.
O medicamento poderá ser usado no SUS?
Ainda não há confirmação. O produto precisará passar por avaliação da Conitec e aprovação do Ministério da Saúde.
A aprovação foi registrada através da RESOLUÇÃO-RE nº 2.122, DE 25 DE MAIO DE 2026.
